
15 de Julho de 1975 – Durante a ocupação da Herdade de Sousa da Sé, em Évora, regista-se (às 8h30) uma confrontação entre trabalhadores rurais e um grupo de 12 elementos armados afectos aos proprietários, de que resultaram ferimentos entre elementos de cada uma das partes em litígio.
15 de Julho de 1975 – Concentração de militantes do PS junto da sede em São Pedro de Alcântara, Lisboa, sob o lema “O Povo não está com o MFA”, onde se pede a demissão do general Vasco Gonçalves.
15 de Julho de 1975 – Comunicado do Comité Central da ORPC (m-l) intitulado “Os Amarelos Opõem-se à Democracia nos Sindicatos!”, denunciando a falta de debate e as manobras anti-democráticas nas Assembleias Gerais para aprovação dos estatutos dos sindicatos dos Metalúrgicos, dos Escritórios de Lisboa, dos Empregados do Comércio de Lisboa e das Artes Gráficas.
15 de Julho de 1975 – Devido a uma ameaça de um «engenho explosivo na sala» da sessões, foi decidido interromper a sessão da Assembleia Constituinte com 4 votos contra e várias abstenções, para as forças de segurança fazerem uma vistoria.
15 de Julho de 1975 – Américo Duarte, deputado da UDP, protesta contra o facto do vice-presidente Pinto Balsemão (PPD) estar a presidir à Mesa da Assembleia Constituinte, pois era «um antigo deputado da Assembleia Nacional fascista».
15 de Julho de 1975 – Octávio Pato, deputado do PCP, protesta contra a presidência da sessão pelo vice-presidente Pinto Balsemão (PPD), por «considerar incompatível com a natureza e os objectivos» da Assembleia Constituinte o «desempenho de tão destacado cargo» por «alguém que já se sentara nestas cadeiras, quando aqui se reunia a Assembleia Nacional fascista».
15 de Julho de 1975 – Georgette de Oliveira Ferreira, deputada do PCP por Lisboa, intervém na discussão, na generalidade, dos projectos de Constituição apresentados pelos diversos grupos parlamentares.
15 de Julho de 1975 – António Joaquim Gervásio, deputado do PCP por Portalegre, intervém sobre o projecto de Constituição apresentado pelo Grupo Parlamentar do PCP.
15 de Julho de 1975 – José Alves Magro, deputado do PCP por Lisboa, intervém sobre o projecto de Constituição apresentado pelo Grupo Parlamentar do PCP.
15 de Julho de 1975 – António Dias Lourenço, deputado do PCP por Setúbal, pronuncia-se sobre o projecto de Constituição apresentado pelo Grupo Parlamentar do PCP.
15 de Julho de 1975 – José Manuel Tengarrinha, deputado do MDP/CDE por Lisboa, protesta contra a presidência da sessão pelo deputado Pinto Balsemão (PPD).
15 de Julho de 1975 – Carlos Mota Pinto, deputado do PPD por Coimbra, pede esclarecimentos sobre a intervenção de Vital Moreira (PCP) relativamente aos projectos de Constituição apresentados pelos Grupos Parlamentares do PS, PPD e CDS.
15 de Julho de 1975 – Marcelo Rebelo de Sousa, deputado do PPD por Lisboa, intervém na discussão dos projectos de Constituição apresentados pelos diversos grupos parlamentares.
15 de Julho de 1975 – Basílio Horta, deputado do CDS por Lisboa, intervém na Assembleia da República, para repudiar as palavras de acusação proferidas pelo deputado Américo Duarte (UDP) ao intervir sobre a primeira proposta de alteração ao Regimento apresentada pelo Grupo Parlamentar do PCP.
15 de Julho de 1975 – Publicação da resolução do Conselho da Revolução, de 9 de Julho, que nomeia a Comissão Administrativa da Rádio Renascença, composta pela coronel Rogério Chermont Bandeira, capitão-de-fragata Adolfo da Silva Figueiredo e capitão António Pereira Modesto.
15 de Julho de 1975 – Comunicado do COPCON de repúdio pelos incidentes de Rio Maior, que foram desencadeados por «hábeis e perniciosos elementos agitadores contra-revolucionários».
16 de Julho de 1975 – A Comissão Instaladora da Cooperativa Agrícola dos Trabalhadores de Alcafozes, Idanha-a-Nova, ocupa terras da Casa Franco.
16 de Julho de 1975 – Manifestação “unitária pelo poder popular” em Lisboa, sob o lema “operários e camponeses, soldados e marinheiros, unidos venceremos!”, para exigir a “dissolução da Constituinte”, “controlo operário”, “Governo Provisório não, Governo Popular sim”, e com palavras de ordem de apoio à ditadura do proletariado. Convocada pelas comissões de trabalhadores e de moradores, contou com adesão da UDP, CMLP, CRTSM, MES, ORPC (m-l), PRP-BR e AEPPA (Associação de Ex-Presos Políticos Antifascistas). Pela primeira vez centenas de militares fardados e equipados com blindados marcaram presença numa manifestação, entre eles o major Dinis de Almeida, previamente autorizados por Otelo.
16 de Julho de 1975 – Manifestação no Porto exigindo o “poder popular” e “controlo operário”, promovida pelas comissões de moradores e de trabalhadores. Brigadeiro graduado Eurico Corvacho, responsável pela Região Militar do Norte (RMN), discursa perante 10 mil manifestantes.
16 de Julho de 1975 – Comunicado da Comissão Política do Comité Central da ORPC (m-l) intitulado “Contra o Fascismo e o Imperialismo, Desenvolver e Organizar a Ofensiva Popular”, onde analisa a situação política e «a campanha abertamente reaccionária que o PS passou a mover contra as conquistas populares», exigindo «a formação de um Governo de Independência Nacional», o «poder às Assembleias Populares, órgãos da vontade dos trabalhadores» e «a dissolução da Assembleia Constituinte». Afirma que o «movimento operário e popular é o motor do processo revolucionário» e a «reconstrução do Partido Comunista é tarefa dos marxistas-leninistas». Embora haja uma corrente progressista no MFA, «por si só esses oficiais são incapazes de se libertar da teia de compromissos com os partidos burgueses».
16 de Julho de 1975 – O jornal ESQUERDA SOCIALISTA, órgão oficial do MES dirigido por Augusto Mateus, termina a sua publicação com a edição do n.º 38, tendo sido fundado a 12 de Setembro de 1974. Foi substituído pelo PODER POPULAR, 2.ª série.
16 de Julho de 1975 – O Presidente da República, general Costa Gomes, durante uma reunião em Belém comunica à delegação oficial do PPD, constituída por Emídio Guerreio, Carlos da Mota Pinto, Artur Santos Silva e Miguel Veiga, a decisão do Conselho da Revolução em não aceitar o ultimato do PPD para continuar no Governo.
16 de Julho de 1975 – Octávio Pato, deputado do PCP, faz uma declaração de voto sobre o voto de protesto pela situação do secretário-geral do Partido Comunista Chileno, Luís Corvalán e demais presos políticos chilenos, proposto por Aquilino Ribeiro (PS). O PCP absteve-se por considerar que a «Assembleia Constituinte não tem poderes […] para moções deste género».
16 de Julho de 1975 – Carlos Brito, deputado do PCP por Faro, intervém na discussão na generalidade dos projectos de Constituição apresentados pelos diversos grupos parlamentares.
16 de Julho de 1975 – Vital Moreira, deputado do PCP por Coimbra, aprecia os projectos de Constituição apresentados pelos vários partidos, dizendo que «podem ser divididos em dois grupos: o grupo dos projectos revolucionários e o grupo dos projectos que o não são».
16 de Julho de 1975 – Aquilino Ribeiro Machado, deputado do PS por Lisboa, propõe um voto de protesto pela situação do secretário-geral do Partido Comunista Chileno, Luís Corvalán, e demais presos políticos chilenos.
17 de Julho de 1975 – Plenário de Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, no Pavilhão da Luz, para apreciaram o diferendo existente entre a Comissão Sindical e as direcções sindicais sobre o Acordo Colectivo de Trabalho. Os trabalhadores queriam seguir com a luta por não estarem de acordo com a contraproposta da Administração, as direcções dos sindicatos entendiam que esta era justa e devia ser aceite.
17 de Julho de 1975 – Comunicado do MDP/CDE acusa o PS de desempenhar o «papel principal» numa «intensa campanha reaccionária que está a ser desenvolvida» para «impedir o avanço da revolução».
17 de Julho de 1975 – A União dos Sindicatos do Porto convoca uma greve parcial «a partir das 17 horas» do dia 18 de Julho e apela à «vigilância revolucionária, impedindo por todas as formas a entrada na cidade do Porto aos reaccionários».
17 de Julho de 1975 – César Oliveira, do grupo ex-MES, afirma que os conflitos partidários têm bloqueado a «dinâmica revolucionária do movimento popular de massas».
17 de Julho de 1975 – João Cravinho, ministro cessante da Indústria e Tecnologia, Jorge Sampaio, secretário de Estado cessante da Cooperação Externa, ambos do grupo ex-MES, apresentam um documento sobre a “crise geral do sistema”, causada por «a burguesia se mostrar já incapaz de governar e do proletariado não ser ainda capaz de o fazer».
17 de Julho de 1975 – Comício do PS em Braga, com Mário Soares a dizer que o PS não de deixa intimidar porque é «o maior partido português», por entre criticas à «campanha de intimidação gigantesca» do DIÁRIO DE NOTÍCIAS, O SÉCULO, Rádio Clube Português e PCP.
17 de Julho de 1975 – Comício do PPD no Porto, onde Emídio Guerreiro explica as razões da saída do Governo e faz um discurso «em favor da liberdade e do povo», num momento em que «a tirania começa a apontar o nariz de abutre». Discursaram também Vasco da Graça Moura, José Augusto Seabra, Alfredo de Sousa, Jorge de Sá Borges e Joaquim Magalhães Mota, por entre assobios ao MFA, Otelo, Vasco Gonçalves e Costa Gomes.
17 de Julho de 1975 – Reunião de praças do Regimento de Infantaria do Porto que aprova uma moção pedindo o saneamento do comandante, coronel Azevedo Simões, e do segundo-comandante da unidade.
17 de Julho de 1975 – José Manuel Tengarrinha, deputado do MDP/CDE por Lisboa, faz um protesto «pelo tom provocatório e contra-revolucionário da intervenção» de Fernando Amaral (PPD) sobre a situação política e económica do País.
17 de Julho de 1975 – Jorge Miranda, deputado do PPD por Braga, intervém na discussão dos projectos de Constituição apresentados pelos diversos grupos parlamentares.
17 de Julho de 1975 – Pedro Roseta, deputado do PPD por Castelo Branco, intervém na discussão dos projectos de Constituição apresentados pelos diversos grupos parlamentares.
17 de Julho de 1975 – Maria Helena Roseta, deputada do PPD por Lisboa, intervém na discussão, na generalidade, dos projectos de Constituição e propostas de sistematização da mesma apresentadas pelos diversos grupos parlamentares.
17 de Julho de 1975 – Primeiro-tenente médico Ramiro Correia é graduado em capitão-de-mar-e-guerra, assumindo a efectividade na chefia da 5.ª Divisão do EMGFA.
17 de Julho de 1975 – Major José Sanches Osório publica em Madrid o livro El Engano del 25 de Abril en Portugal, mais tarde reeditado como O Equívoco do 25 de Abril.
17 de Julho de 1975 – Resolução do Conselho da Revolução, de 9 de Julho, que nomeia uma comissão administrativa para a empresa Editorial República, constituída pelo capitão António de Oliveira Torres, primeiro-tenente Tito Cerqueira e um elemento a designar, e o coronel na reserva Jorge Pereira de Carvalho como director do jornal REPÚBLICA.
17 de Julho de 1975 – O Conselho de Chefes de Estado e de Governo da CEE lança um ultimato a Portugal, pois esta «só pode dar o seu apoio a uma democracia pluralista».
18 de Julho de 1975 – Realizam-se as assembleias unitárias concelhias convocadas pelo Sindicato do Trabalhadores Agrícolas dos Distrito de Beja, de apoio à Reforma Agrária.
18 de Julho de 1975 – Reunião extraordinária alargada da Assembleia Popular de Marvila (envolvendo Marvila, Chelas, Braço de Prata, Bairro do Relógio, Vale Formoso, Olivais Sul e Beato), para analisar a situação política.
18 de Julho de 1975 – Comité de Defesa da Revolução da Lisnave defende a nacionalização das empresas e o controlo operário sobre a economia.
18 de Julho de 1975 – Nota política da UDP intitulada “Na Ordem do Dia a Luta Pela Independência Nacional”, denunciando a campanha do PS e criticando o «falso partido comunista de Cunhal», os quais somente tentam «reforçar as suas posições no aparelho de Estado», porém a resolução da crise que «afecta os trabalhadores e o Povo em geral está nas mãos do Povo».
18 de Julho de 1975 – Comício do PCP no Pavilhão dos Desportos de Lisboa, onde Álvaro Cunhal fala em «impedir uma marcha sobre Lisboa».
18 de Julho de 1975 – Comunicado da Direcção da Organização Regional do Norte do PCP, afirmando que «a direcção do PS insiste em convocar para o Porto toda a reacção do Norte», pois o comício do PS «é apenas um pretexto para a invasão da cidade por falsos socialistas de mãos dadas com os assassinos do ELP, os caciques do PPD, os gorilas do CDS e toda a escumalha dos ex-bufos, dos ex-legionários e dos ex-pides», cujos «os objectivos imediatos são provocar uma onda de violência e de provocação».
18 de Julho de 1975 – A Direcção da Organização Regional do Oeste e Ribatejo do PCP incita ao levantamento de uma «verdadeira muralha de aço» para travar a marcha reaccionária sobre Lisboa.
18 de Julho de 1975 – Comunicado da Intersindical Nacional considera que «a marcha sobre Lisboa» do PS «reúne condições para nela se incorporarem todas as forças reaccionárias».
18 de Julho de 1975 – Comunicado do MDP/CDE pedindo «todo o apoio popular» aos «revolucionários, civis e militares que, nas estradas de Portugal, defendam a liberdade do povo e o caminho para o socialismo».
18 de Julho de 1975 – Declaração de Mário Sottomayor Cardia, porta-voz do PS, sobre o “Caso República” e sobre o direito de reunião e de manifestação, a propósito de comícios socialistas a realizar em Lisboa e no Porto.
18 de Julho de 1975 – Comício do MRPP no Campo Pequeno, Lisboa, sob o lema “a classe operária deve ousar avançar na revolução” e para anunciar que «o povo libertou o camarada Arnaldo de Matos e libertará todos os antifascistas presos».
18 de Julho de 1975 – Comício do PS no Estádio das Antas, Porto, exigindo a demissão do general Vasco Gonçalves.
18 de Julho de 1975 – No seguimento do comício do PS no Porto, manifestantes socialistas queimaram barracas de propaganda do PCP e do MDP/CDE na Praça da Liberdade e na Praça de Carlos Alberto, e tentaram assaltar os estúdio do Rádio Clube Português, sendo impedidos pelo COPCON.
18 de Julho de 1975 – Ao longo do dia registam-se incidentes e confrontações em Aveiro e São João da Madeira e no Porto, durante a tarde e noite.
18 de Julho de 1975 – Incidentes em Rio Tinto provocam 8 feridos.
18 de Julho de 1975 – Manifestação anticomunista em Aveiro, com apoio do PPM, CDS e PPD durante a qual sucederam tentativas de assaltado às sedes locais de partidos de esquerda e da Intersindical. Militantes de esquerda são agredidos e um soldado foi morto.
18 de Julho de 1975 – Assalto à sede do PCP em Ílhavo.
18 de Julho de 1975 – Assaltada a sede do PCP na Lourinhã e exigido o saneamento de funcionários de agências bancárias e das Finanças, acusados de pertencerem ao PCP e MDP/CDE.
18 de Julho de 1975 – Assaltada a sede do PCP no Cadaval.
18 de Julho de 1975 – Manifestação anticomunista em Alqueidão da Serra, Porto de Mós, sendo incendiada uma carrinha que transportava jornais de Lisboa para abastecer o Porto, Aveiro, Coimbra e Viseu.
18 de Julho de 1975 – Assalto à sede da Associação 1.º de Maio, em Porto de Mós, ligada à esquerda.
18 de Julho de 1975 – Assalto a sedes de partidos de esquerda em Matosinhos.
18 de Julho de 1975 – Manifestação do PS, PPD e CDS em Castelo Branco exigindo a demissão de Vasco Gonçalves.
18 de Julho de 1975 – Nas Caldas da Rainha um comerciante foi mortalmente anavalhado durante uma discussão partidária.
18 de Julho de 1975 – Américo Duarte, deputado da UDP, afirma que «esta Assembleia está transformada no quartel-general da reacção e da contra-revolução», denunciando o aumento das actividades contra-revolucionárias da burguesia, e que «as forças reaccionárias, do CDS ao PS, preparam uma ofensiva» contra os trabalhadores.
18 de Julho de 1975 – Francisco Miguel, deputado do PCP por Beja, intervém na discussão dos projectos de Constituição apresentados pelos diversos grupos parlamentares.
18 de Julho de 1975 – Álvaro Ribeiro Monteiro, deputado do MDP/CDE por Setúbal, analisa os diversos projectos de Constituição, que divide em «dois grupos dominantes», de um lado os partidos que reconhecem «o papel inalienável e insubstituível das massas populares» na «consolidação da democracia e construção do socialismo», como o MDP, o PCP e a UDP; do outro lado, os projectos dos partidos «que não reconhecem às massas populares» qualquer papel, como o PS, o PPD e o CDS.
18 de Julho de 1975 – Jaime Gama, deputado do PS por Ponta Delgada, pronuncia-se sobre a «situação grave e preocupante» nos Açores.
18 de Julho de 1975 – Primeira intervenção parlamentar de João Bosco Mota Amaral, deputado do PPD por Ponta Delgada, para referir-se a acusações feitas pelo deputado Américo Duarte (UDP) na sua intervenção sobre a situação política portuguesa.
18 de Julho de 1975 – Assembleia Extraordinária do MFA, durante a qual se discute a proposta de formação dum Directório constituído por Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho, encarregado de «definir uma orientação política e ao qual seriam dados amplos poderes».
19 de Julho de 1975 – Intersindical Nacional (às 3 horas da manhã) convoca «os trabalhadores a integrarem-se nas barreiras que estão a ser montadas» para impedir a marcha sobre Lisboa.
19 de Julho de 1975 – Boatos sobre uma “marcha sobre Lisboa” a propósito da manifestação promovida pelo PS. O PCP exorta à «vigilância popular», tal como o MDP/CDE, FSP, MES e LUAR. Foram levantadas algumas barricadas em Lisboa, Castelo Branco, Almada, Palmela, Évora, Coruche, etc.
19 de Julho de 1975 – O COPCON afirma, em comunicado (5 horas da manhã), não existir perigo de marcha sobre a capital e ordena a eliminação das «barricadas selvagens», garantindo defender a ordem pública
19 de Julho de 1975 – Ao longo do dia registam-se incidentes e confrontos em Aveiro, Mira de Aire, Alcobaça, Minde, Batalha, Covilhã, Carnaxide, Portela de Sacavém, Cacém e Matosinhos.
19 de Julho de 1975 – Assalto e destruição da sede do PCP em Aveiro, durante a madrugada de 18 para 19 de Julho.
19 de Julho de 1975 – Incidentes na Batalha, durante a madrugada, onde «algumas centenas de reaccionários controlados por caciques locais» obrigaram a carrinha que transportava os jornais de Lisboa a parar e destruíram os exemplares, originando a intervenção militar para repor «a calma e a ordem».
19 de Julho de 1975 – Incidentes em Alcobaça, com contestação ao presidente da Câmara e assalto ao Centro de Trabalho do PCP, causando 7 feridos.
19 de Julho de 1975 – Assalto a sedes de esquerda em Minde e ao Sindicato dos Têxteis, causando 4 feridos.
19 de Julho de 1975 – Assaltada (19 horas) a sede do PCP em Valença do Minho.
19 de Julho de 1975 – Grande comício do PS na Fonte Luminosa, em Lisboa, no qual Mário Soares ataca abertamente o Governo Provisório, pede a demissão de Vasco Gonçalves, ataca a «cúpula de paranóicos» da direcção do PCP e a «cúpula de irresponsáveis» da direcção da Intersindical, e ameaça «paralisar o país».
19 de Julho de 1975 – Inicio da campanha da 5.ª Divisão de apoio a Vasco Gonçalves, que culminará com a edição do cartaz “MFA/VASCO/POVO”.
19 de Julho de 1975 – Comunicado do Núcleo de Campo da UDP saudando os trabalhadores rurais que ocuparam as herdades da Casqueira, da Maceda, dos Casões e do Vale de Melão, no Alentejo, pois «a Reforma Agrária não se espera, conquista-se».
19 de Julho de 1975 – Reunião para constituir a Assembleia Popular de Setúbal, presidida por um representante do MFA.
19 de Julho de 1975 – Reunião para constituir a Assembleia Popular de Agualva-Cacém, presidida por um representante do MFA. Foram formados grupos de trabalho para discutir assuntos do ensino, saúde e previdência, actividades culturais, habitação e transportes, vigilância popular e empresas.
19 de Julho de 1975 – Convocada a Assembleia Popular da Amadora para o dia 26 de Julho.
20 de Julho de 1975 – Ao longo do dia registam-se incidentes e confrontos em Porto de Mós, Leiria, Alcanena, Moimenta da Beira, Estarreja, Caldas da Rainha e Viseu.
20 de Julho de 1975 – Manifestação em Beja de «apoio às recentes decisões da Assembleia do MFA» por iniciativa do MDP/CDE, FSP, MES, PRP-BR, PCP e sindicatos, que terminou junto do quartel do Regimento de Artilharia de Beja, onde o comandante de unidade afirmou estar o regimento «disposto a defender intransigentemente os interesses das classes trabalhadoras».
20 de Julho de 1975 – Manifestação anticomunista em Viseu e de apoio ao Episcopado (à tarde), com tentativa de assalto à sede local do PCP. No final D. José Pedro da Silva, bispo titular de Thiava e bispo de Viseu, agradeceu a «solidariedade dos fiéis».
20 de Julho de 1975 – No Norte e Centro do País foram atacadas sedes de partidos de esquerda (Vale de Cambra, Fafe, Alcanena, Famalicão, Figueiró dos Vinhos, Mortágua, Viseu), num ambiente de “caça ao comunista”.
20 de Julho de 1975 – Assaltadas e destruídas as sedes do PCP e do MDP/CDE em Ponta Delgada, Açores.
20 de Julho de 1975 – Segundo dia de trabalhos da reunião da Assembleia Popular de Agualva-Cacém.
20 de Julho de 1975 – General Otelo Saraiva de Carvalho parte para uma viagem a Cuba.
20 de Julho de 1975 – Aspirante miliciano Ferreira Fernandes é transferido do Regimento de Infantaria do Porto para o Quartel-General da Região Militar do Norte, devido à tentativa de saneamento do coronel comandante da unidade.
20 de Julho de 1975 – Jean Ziegler, deputado suíço, revela num colóquio em Lisboa patrocinado pelo PS, que nos bancos da Suíça estão depositados à volta de um bilião de escudos fugidos de Portugal em 1974.
21 de Julho de 1975 – Plenário de Trabalhadores da Fábrica de Conservas São José, do Grupo Júdice Fialho, com a presença de 1 000 trabalhadores de Portimão, Sines, Matosinhos e Peniche, para analisar a situação na empresa e eleger uma Comissão Revolucionária de Trabalhadores.
21 de Julho de 1975 – No Norte do País foram atacadas quatro sedes do PCP em Estarreja, Aveiro, Oliveira de Azeméis e Castelo Branco.
21 de Julho de 1975 – Destruída a sede do MDP/CDE e a sala das sessões da Câmara Municipal de Matosinhos, durante incidentes que causam 14 feridos.
21 de Julho de 1975 – Uma bomba destrói um radiofarol em Vilar Formoso.
21 de Julho de 1975 – Nota de Imprensa da ORPC (m-l) intitulado “O Povo Deve Levantar-se Contra a Ofensiva Fascista!”, onde se diz que o PS lançou uma campanha reaccionária contra as conquistas populares e que a acção dos socialistas «é fundamentalmente dirigida contra o movimento revolucionário popular», pois realiza nessa campanha «a unidade de toda a direita portuguesa, desde o PPD ao CDS e ao ELP», dando corpo a «um forte movimento contra-revolucionário», enquanto o PCP «vira trabalhadores contra trabalhadores» com ajuda dos seus «lacaios» do MDP/CDE, FSP e MES.
22 de Julho de 1975 – Comunicado da UDP intitulado “Todos ao Julgamento de José Diogo! Todos a Tomar no Dia 25!”, afirmando que o que está em causa é «mais uma luta contra o poder dos exploradores e as suas leis», declarando que «temos de transformar este julgamento numa jornada de luta contra o fascismo e para isso há que impor a Justiça Popular».
22 de Julho de 1975 – Américo Duarte, deputado da UDP, afirma que «toda a canalha fascista se pôs de baixo do partido do dr. Soares» para atacar a Revolução e os trabalhadores, a propósito da escalada anticomunista e da situação política.
22 de Julho de 1975 – Octávio Pato, deputado do PCP por Lisboa, pronuncia-se sobre os incidentes ocorridos em Alcobaça, insinuando que «entre os reaccionários que cercaram» Câmara Municipal de Alcobaça e ao Centro de Trabalho do PCP, encontrava-se o deputado do PPD José Gonçalves Sapinho, que desmentiu tais acusações.
22 de Julho de 1975 – António Aires Rodrigues, deputado do PS por Leiria, analisa um comunicado da DORN do PCP, afirmando que «não é só a organização do Norte do PCP que persiste numa posição sectária, estalinista e em última análise suicida para toda a esquerda e para a resolução socialista em Portugal».
22 de Julho de 1975 – António Reis, deputado do PS por Santarém, intervém na discussão dos projectos de Constituição apresentados pelos diversos grupos parlamentares.
22 de Julho de 1975 – António Campos, deputado do PS por Coimbra, pronuncia-se sobre a situação política, afirmando que «a democracia socialista corre graves riscos no nosso país».
22 de Julho de 1975 – Assaltada a sede do PCP em Alcobaça e o edifício da câmara municipal.
22 de Julho de 1975 – Assaltada a sede do PCP em Ansião, distrito de Leiria.
22 de Julho de 1975 – Comunicado do PS intitulado “Recusa do PS em participar no V Governo”.
22 de Julho de 1975 – Emídio Guerreiro, do PPD, em entrevista ao JORNAL NOVO afirma que «o PS tomou atitudes» que «estão a pôr em perigo, inclusivamente, as liberdades em Portugal».
22 de Julho de 1975 – Eduardo Prado Coelho escreve, nas colunas de A CAPITAL, que «o Partido Socialista é hoje o pólo de atracção da reacção. É possível que Mário Soares ainda não saiba, mas qualquer de nós sabe».
23 de Julho de 1975 – Duas mil pessoas, entre trabalhadores, moradores e militares da Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas, ocupam as herdades do Engal, do Esparteiro, das Faias, das Águas Belas, da Aldeia Velha e do Peso, no Couço, Coruche.
23 de Julho de 1975 – Os trabalhadores da Sociedade Agrícola D. Dinis, no Monte da Ravasqueira, Arraiolos, pedem o saneamento do administrador António da Fonseca Alcobia, devido à pouca atenção que presta aos trabalhos agrícolas.
23 de Julho de 1975 – É eleito o Secretariado Provisório das Comissões de Moradores de Setúbal, do qual fazem parte os bairros 25 de Abril, Amoreiras, Azeda, Humberto Delgado, Maltalhado, Monte Belo, Pescadores, Quatro Caminhos, Reboreda e Tebaida.
23 de Julho de 1975 – Reaparece o jornal PODER POPULAR, 2.ª série, como órgão oficial do MES, sob direcção de Fernando Ribeiro Mendes.
23 de Julho de 1975 – Durante um comício do MES, Rogério de Jesus afirma que os CRTSM «são formas incorrectas de Poder Popular» e Augusto Mateus realça que «a escolha possível é entre a ditadura reaccionária da burguesia e a ditadura revolucionaria do proletariado».
23 de Julho de 1975 – Comunicado da Intersindical Nacional afirma que «interpretando o sentimento da esmagadora maioria dos trabalhadores portugueses», manifesta «apoio incondicional ao general Vasco Gonçalves, revolucionário, patriota e defensor firme das classes trabalhadoras».
23 de Julho de 1975 – PS e PPD decidem não participar no V Governo Provisório.
23 de Julho de 1975 – Durante uma reunião de delegados da Arma de Infantaria, na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, sob presidência do capitão Vasco Lourenço é aprovada uma moção que defende a dissolução da 5.ª Divisão, transformar a Assembleia do MFA em órgão de natureza consultiva, exigir votações nas Assembleias Militares por voto secreto, alterar a composição da Assembleia do MFA e considerar a substituição do general Vasco Gonçalves das funções de primeiro-ministro.
23 de Julho de 1975 – O DIÁRIO DE NOTÍCIAS publica o cartaz “MFA/VASCO/POVO”, de apoio a Vasco Gonçalves, da autoria de João Abel Manta.
23 de Julho de 1975 – Assaltadas as sedes de partidos de esquerda em Braga, Valença e Oliveira de Azeméis.
23 de Julho de 1975 – Atentados bombistas contra militantes do PCP e da UDP em Fafe.
24 de Julho de 1975 – Início da greve dos trabalhadores do Metro de Lisboa.
24 de Julho de 1975 – Realiza-se no Pavilhão dos Desportos, Lisboa, a Jornada de Solidariedade com os Trabalhadores Espanhóis, organizada pela LCI, para exigir a libertação dos revolucionários Eva Forest e Garmendia, com a presença de Zeca Afonso e Paco Ibañez.
24 de Julho de 1975 – Publicação do Manifesto “Organizar o Povo e Levar a Revolução Até ao Fim”, do Grupo 1.º de Maio, onde se analisa «a luta entre PS e PCP» pelo «controlo do aparelho de Estado», o «contra-ataque da burguesia ligada ao imperialismo através do PS», a ofensiva que pretende «reconquistar a iniciativa política» da burguesia, a qual «explora o descontentamento do Povo», afirmando que «a Revolução Popular está a meio caminho» por não haver partido revolucionário marxista-leninista, pois a actual situação política é uma «derrota da linha política do PCP» e o «fim do mito de que o PC é invulnerável e o Dr. Cunhal um “génio político”». Define depois o PS como «ponta de lança da burguesia ligada ao imperialismo americano», propondo a organização do Poder Popular e «construir o Partido Revolucionário da Classe Operária e das massas trabalhadoras», baseado na ideologia do maoismo que «é o marxismo-leninismo da nossa época».
24 de Julho de 1975 – Comunicado da Comissão Política do Comité Central da ORPC (m-l), dando conta que a delegação chefiada por Francisco Martins Rodrigues regressara de uma visita à República Popular Socialista da Albânia, onde permanecera um mês «num clima de total fraternidade e espírito de internacionalismo proletário».
24 de Julho de 1975 – Conferência de imprensa do PRP-BR, na qual Isabel do Carmo afirma que «formar mais uma vez» um governo com as mesmas forças políticas da coligação do Governos Provisórios «é brincar com os trabalhadores», pois esses mesmos partidos têm causado «confrontações físicas nas ruas».
24 de Julho de 1975 – Assembleia Geral extraordinária do Sindicato dos Jornalistas, onde foi aprovada uma moção de repúdio do separatismo nos Açores e exigem a «adopção de medidas consequentes que visem a destruição completa estruturas» separatistas.
24 de Julho de 1975 – Primeira intervenção parlamentar de António Roleira Marinho, deputado do PPD por Viana do Castelo, referindo-se à situação agrícola do País, debruçando-se sobre a vida dos trabalhadores agrícolas.
24 de Julho de 1975 – José Gonçalves Sapinho, deputado do PPD por Leiria, apresenta um requerimento pedindo seja feito um inquérito sobre incidentes ocorridos em Alcobaça, onde houve um cerco à Câmara Municipal e assalto ao Centro de Trabalho do PCP, sendo injustamente acusado de ter participado em tais actos pelo deputado Octávio Pato que «não se retractou das calúnias que sobre mim proferiu».
24 de Julho de 1975 – Diogo Freitas do Amaral, deputado do CDS por Lisboa, apresenta uma proposta, em nome do seu grupo parlamentar, relativamente à constituição das comissões da Assembleia Constituinte.
24 de Julho de 1975 – O Conselho da Revolução considera inoportuna a participação de militares numa manifestações exigindo a ditadura do proletariado e a constituição dum Governo Revolucionário de Independência Nacional, convocada pela extrema-esquerda.
24 de Julho de 1975 – Realiza-se a Assembleia do Exército, no Centro de Sociologia Militar, Lisboa, sob presidência de Carlos Fabião, general graduado e Chefe do Estado-Maior do Exército, onde o capitão Vasco Lourenço contesta o primeiro-ministro Vasco Gonçalves e apresenta a moção aprovada na Escola Prática de Infantaria, que depois retira.
24 de Julho de 1975 – Reunião (à noite) do futuro “Grupo dos Nove” na casa do comandante José Gomes Mota, na qual ficou decidido elaborar um documento e que somente o capitão Vasco Lourenço iria à Assembleia do MFA.
24 de Julho de 1975 – Assaltadas as sedes de partidos de esquerda em Sever do Vouga.
24 de Julho de 1975 – Assaltada e incendiada a sede do MDP/CDE em Ansião, Leiria.
24 de Julho de 1975 – Assaltada e destruída a sede do PCP em Esmoriz, acto reivindicado pelo ELP.
24 de Julho de 1975 – Polémica entre Hélio Fernandes, director do jornal brasileiro “TRIBUNA DA IMPRENSA”, e Mário Soares, a propósito da noticia de um encontro do dirigente socialista com o general António de Spínola.
25 de Julho de 1975 – Circular da Comissão de Trabalhadores da Fábrica Simões, empresa de malhas e confecções, em co-gestão partilhada entre os trabalhadores e a intervenção do Estado, que impõe «normas de rendimento» de eficácia e produtividade, e determina sanções aos trabalhadores que não atinjam determinada média mensal.
25 de Julho de 1975 – Comunicado conjunto das direcções dos sindicatos dos Técnicos de Desenho, dos Rodoviários, dos Metalúrgicos, dos Escritórios e do Comércio, criticando a atitude da Comissão Sindical dos Trabalhadores do Metropolitano, por esta desejar prosseguir com a luta por uma Acordo Colectivo de Trabalho.
25 de Julho de 1975 – Incidentes na Feira de Estremoz entre trabalhadores da Herdade de Monte Branco, distrito de Portalegre, e um grupo a mando dos agrários, que originou a intervenção militar e apreensão de 7 éguas e 2 poldros que estiveram na origem da disputa.
25 de Julho de 1975 – Um Tribunal Popular reunido em Tomar, constituído por assalariados de Castro Verde, operários das empresas de Tomar e Lisboa e representantes da AEPPA, num total de 20 pessoas, libertou o trabalhador rural José Diogo, que matara o patrão em 1974, e condenou a título póstumo o agrário Columbano Líbano Monteiro, «pela opressão e exploração que exerceu sobre o povo».
25 de Julho de 1975 – Comício da UDP, no Campo Pequeno, em Lisboa (às 21h30), para exigir o reforço da aliança operário-camponesa, o aprofundamento da luta popular contra o fascismo e a burguesia, e a formação de um “governo de independência nacional”, com presença de 20 000 pessoas, entre as quais o trabalhador rural José Diogo.
25 de Julho de 1975 – Comunicado da Comissão Distrital de Lisboa da UDP denunciado um bando do «grupo de provocadores de Vilar, que se intitula descaradamente de PCP (m-l)» rasgou e destruiu propaganda, pois enquanto a UDP «luta por unir as massas populares», aquele grupo é «um criado servil do sr. dr. Mário Soares».
25 de Julho de 1975 – Começa o I Congresso dos Sindicatos Portugueses, promovido pela Intersindical Nacional, sob presidência de Manuel Lopes, com a presença de 159 sindicatos, sob o lema “pela unidade dos trabalhadores e do povo, pelas liberdades, pela democracia, pela paz, pela construção de uma sociedade socialista”.
25 de Julho de 1975 – Após cerca de dez horas de reunião, o Plenário da Assembleia do MFA cria o Directório composto pelo general Costa Gomes, Presidente da República, general Vasco Gonçalves, primeiro-ministro, e general Otelo Saraiva de Carvalho, comandante do COPCON, órgão que concentra em si o poder político-militar.
25 de Julho de 1975 – A UDP analisa a criação do Directório do MFA como medida ineficaz e de conciliação, a qual vai servir para agudizar as contradições politicas e militares.
25 de Julho de 1975 – Isabel do Carmo, do PRP-BR, diz que o triunvirato «representa as três tendências existentes no poder» e que o MFA «não resolveu nada».
25 de Julho de 1975 – Comunicado do MDP/CDE saudando a criação do Directório, como medida que marca «um reforço da autoridade, necessário ao avanço democrático em direcção ao socialismo».
25 de Julho de 1975 – Assaltadas várias sedes dos partidos de esquerda na Trofa.
26 de Julho de 1975 – Comissão Sindical dos Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa acusa as «direcções amarelas» dos sindicatos dos Técnicos de Desenho, dos Rodoviários, dos Metalúrgicos, dos Escritórios e do Comércio de pretenderem virar os trabalhadores contra a Comissão Sindical e de não defenderem os interesses dos trabalhadores ao imporem um Acordo de Trabalho na empresa, que não é justo.
26 de Julho de 1975 – Não se realizou a reunião da Assembleia Popular da Amadora, devido a manobras de boicote do coronel Jaime Neves, o que motivou uma manifestação de protesto a exigir a realização da Assembleia.
26 de Julho de 1975 – É anunciado que o jornal LUTA POPULAR, órgão central do MRPP, vai passar a diário com uma tiragem de 60 000 exemplares.
26 de Julho de 1975 – General Otelo Saraiva de Carvalho discursa em Cuba, na tribuna ao lado de Fidel de Castro, na cerimónia comemorativa do assalto ao Quartel Moncada e o início da revolta contra a ditadura de Fulgêncio Baptista, no âmbito do 22.º aniversário da revolução cubana.
26 de Julho de 1975 – Por ordem do Conselho da Revolução foi passado à reserva o capitão piloto João Freire de Oliveira, por «não oferecer garantias de fidelidade ao MFA», pois participara numa assembleia de trabalhadores defendendo a formação de Conselhos Revolucionários de Trabalhadores.
26 de Julho de 1975 – O EXPRESSO noticia que existe um projecto em estudo no Gabinete do Primeiro-Ministro para formação de uma Frente Unida Popular, que aglutinaria franjas desde o PS até à UDP, passando pela FSP, LCI, LUAR, MPD/CDE, MES, PCP e PRP-BR.
26 de Julho de 1975 – Violência anticomunista, sendo assaltada a sede do PCP em Águeda.
26 de Julho de 1975 – Eusébio, jogador do Benfica, assina um contrato de dois ano com um clube de Boston, Estados Unidos.
27 de Julho de 1975 – Termina o Congresso da Intersindical, que decorreu sob o lema “Pela unidade dos trabalhadores e do povo, pelas liberdades, pela democracia, pela paz, pela construção de uma sociedade socialista”, tendo participado nos trabalhos 159 sindicatos.
27 de Julho de 1975 – Comunicado da ORPC (m-l) intitulado “A Nossa Posição Sobre Angola”, afirma que «estamos seguros da justeza da nossa linha» por não querer interferir nas questões internas do povo angolano ao não apoiar qualquer dos três movimentos e exigindo nem mais um embarque de soldados para Angola.
27 de Julho de 1975 – Comunicado do Núcleo do Metropolitano de Lisboa da ORPC (m-l) intitulado “O Êxito da Luta Depende da Unidade Contra o Inimigo de Classe”, denunciando o divisionismo de algumas direcções sindicais nas negociações do Acordo Colectivo de Trabalho da empresa.
27 de Julho de 1975 – O Secretariado Nacional do PS apela à formação de «um Governo de Salvação Nacional» composto por «várias correntes do MFA e os partidos democráticos responsáveis».
27 de Julho de 1975 – É promulgado o Decreto-Lei n.º 351/75 que cria os Conselhos Regionais de Reforma Agrária nos distritos de Lisboa, Santarém, Castelo Branco, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro.
27 de Julho de 1975 – Manifestação anticomunista em Bragança de apoio ao Episcopado, durante a qual D. Manuel de Jesus Pereira, bispo de Bragança e Miranda, criticou a comunicação social por ofensas ao «bom povo do Nordeste, acoimando-o de atrasado».
27 de Julho de 1975 – Assaltada e destruída a sede do MDP em Sever do Vouga.
27 de Julho de 1975 – Assaltada a sede do PCP em Gândara dos Olivais, Leiria.
27 de Julho de 1975 – Assalto à sede da Associação Recreativa e Cultural de Amor, Leiria, considerada progressista.
27 de Julho de 1975 – Manifestação em Torres Vedras para exigir o saneamento de quatro funcionários bancários acusados de serem comunistas e tentativa de assalto ao Centro de Trabalho do PCP local.
27 de Julho de 1975 – Manifestação do PPD na Madeira para exigir a autonomia, com palavras de ordem contra Otelo e Vasco Gonçalves. A União do Povo da Madeira, organização progressista antifascista, convocou uma contramanifestação.
28 de Julho de 1975 – Suspensa a greve dos trabalhadores do Metro de Lisboa, dando um prazo de cinco dias à administração para apresentar uma contraproposta de acordo salarial.
28 de Julho de 1975 – Manifestação dos trabalhadores da Herdade de Monte Branco e de trabalhadores rurais do concelho de Avis para exigir a entrega do gado cavalar que fora confiscado a 25 de Julho, o que foi alcançado.
28 de Julho de 1975 – Comunicado do Núcleo da OCMLP de São João da Madeira a denunciar «uns tantos senhores da terra, comprometidos com posições de direita».
28 de Julho de 1975 – Comunicado do Secretariado Provisório Pró-Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros, a denunciar o saneamento do capitão Nuno Santos Ferreira por pertencer ao Secretariado dos CRTSM, o inquérito feito ao capitão João Sobral Costa por ter promovido uma assembleia sobre o CRTSM na sua unidade militar, o afastamento do tenente Guerra da Comissão de Extinção da ex-PIDE/DGS e o inquérito e a passagem à reserva do capitão piloto João Freire de Oliveira por ter participado numa assembleia de trabalhadores da Lisnave e Siderurgia defendendo a formação de Conselhos Revolucionários, considerados saneamentos à esquerda.
28 de Julho de 1975 – Secretariado Provisório Pró-Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros convoca o 2.º Congresso Nacional dos CRTSM para 2 e 3 de Agosto, no Instituto Superior Técnico, a fim de analisar a situação política, económica e militar, as formas de organização da Classe Operária e as tarefas imediatas para instaurar a Ditadura do Proletariado.
28 de Julho de 1975 – Manifestação em Sintra (à noite), com a presença de mil pessoas, de protesto contra uma «manobra contra-revolucionária» intentada por industriais da construção civil e «forças reaccionários» do PPD, que pretenderam demitir a Comissão Administrativa da Câmara Municipal e colocar a autarquia «ao serviço dos exploradores do povo».
28 de Julho de 1975 – Arnaldo de Matos, secretário-geral do MRPP, acha que o grande capital usa a «pequena burguesia democrática (de Melo Antunes a Vasco Lourenço)» para «procurar iludir a classe operária» e que há a possibilidade real de um «golpe fascista e social-fascista» e de «uma guerra civil, a desencadear» brevemente.
28 de Julho de 1975 – Entrevista de Mário Soares à revista alemã DER SPIEGEL, onde afirma que estamos perante «uma questão de saber se se deseja um sistema de estado autoritário ou uma democracia» em Portugal.
28 de Julho de 1975 – Assaltada a sede do Sindicato dos Metalúrgicos em Águeda.
28 de Julho de 1975 – Gunther Walraff, jornalista alemão, verifica que «a chamada imprensa livre e sem censuras da Alemanha fica bastante desvirtuada face à imprensa verdadeiramente livre e sem censura que hoje impera em Portugal».
29 de Julho de 1975 – Conflito no seio da Comissão de Trabalhadores da TAP entre elementos moderados e radicais por causa das formas de luta a adoptar.
29 de Julho de 1975 – Comício do MRPP em Moscavide, com a presença do secretário-geral Arnaldo de Matos, sob o lema “a classe operária e o 5.º Governo Provisório”, onde se conclui que «sem os órgãos da vontade popular, sem as comissões de trabalhadores, a classe operária não pode avançar na revolução».
29 de Julho de 1975 – Mário Soares apresenta uma proposta de um «Governo de Salvação Nacional» e afirma que «a aliança PCP-MDP, com as forças esquerdistas» do MES, UDP, PRP e LUAR «não encontrará nunca uma base de apoio popular suficiente». Teceu considerações negativas acerca do professor José Teixeira Ribeiro, indicado para o lugar de vice-primeiro-ministro, dizendo que ele «foi um colaboracionista» com os governos de Salazar e Caetano.
29 de Julho de 1975 – Entrevista do general Otelo Saraiva de Carvalho ao jornal cubano GRANMA, onde acusa Mário Soares de representar «uma das principais esperanças da direita» em Portugal.
29 de Julho de 1975 – Decreto-Lei n.º 406-A/75, que ficou conhecido como a “Primeira Lei da Reforma Agrária”, prevê a nacionalização de terras, expropriação dos latifúndios e das propriedades incultas. Tinha sido aprovado em Conselho de Ministros restrito de 7 de Julho.
29 de Julho de 1975 – Manifestação anticomunista (à noite) de uma multidão de 3.000 pessoas em São João da Madeira, aos gritos de «vamos dar cabo dos comunistas».
30 de Julho de 1975 – Os delegados sindicais da fábrica Emídio Silva Raposo & Filhos, em Minde, Alcanena, são agredidos selvaticamente por um grupo a soldo do patronato e despedidos.
30 de Julho de 1975 – Reunião plenária do Comité Central da ORPC (m-l) decidiu propor às direcções do CMLP (Comité Marxista-Leninista Português) e OCMLP (Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa) a constituição de uma Comissão Organizadora do Congresso de Reconstrução do Partido Comunista.
30 de Julho de 1975 – Termina a visita do general Otelo Saraiva de Carvalho a Cuba. Ao chegar a Lisboa, declara que tirou «ilações muito úteis para a nossa revolução» e que Mário Soares «é uma das esperanças da direita em Portugal».
30 de Julho de 1975 – Assaltadas e destruídas as sedes da OCMLP, PCP e MES em São João da Madeira, durante a madrugada.
30 de Julho de 1975 – Atentado bombista em Évora contra a casa de habitação de Dinis Miranda, membro do Comité Central do PCP, causando três feridos.
30 de Julho de 1975 – Diariamente partem de Luanda sete aviões com destino a Lisboa, estimando-se que 300 000 portugueses serão evacuados até à data da independência, o «maior êxodo de colonos brancos» desde a guerra da Argélia.
31 de Julho de 1975 – Plenário de Moradores da Torre, Cascais, ocupou uma vivenda de Nuno de Calvet Magalhães que está fugido no Brasil, para ali instalar a escola de instrução primária.
31 de Julho de 1975 – A Comissão de Moradores do Outeiro da Vela, Cascais, ocupou 23 apartamentos do bairro para alojar os moradores das barracas.
31 de Julho de 1975 – Manifestação em Minde de solidariedade com os delegados sindicais da fábrica Emídio Silva Raposo & Filhos que tinham sido agredidos selvaticamente, com a presença de 2000 trabalhadores.
31 de Julho de 1975 – O JORNAL DE GAIA passa a ser publicado sob responsabilidade dos trabalhadores para o tornar num jornal ao «serviço do poder popular».
31 de Julho de 1975 – Nota de imprensa do Comité Central da ORPC (m-l) intitulada “Avante Pelo Congresso de Reconstrução do Partido Comunista”, na qual aprecia «a rápida agudização da luta de classes» e «as ameaças crescentes» dum golpe da burguesia, e «na emergência» que se atravessa é «imperioso acelerar, imediatamente, o processo de reconstrução do Partido Comunista marxista-leninista», única «força capaz de tomar a cabeça da Revolução Democrática Popular».
31 de Julho de 1975 – Apresentação do manifesto do Comité Revolucionário dos Estudantes de Direito, um órgão estudantil «mergulhado profundamente na luta de classes», para organizar e dirigir «o pequeno exército popular constituído por estudantes».
31 de Julho de 1975 – Coronel Jaime Neves, major Fernando Lobato de Faria, capitão António Ribeiro da Fonseca, capitão Falcão, outros oficiais e sargentos do Regimento de Comandos da Amadora são saneados durante uma assembleia geral da unidade (de madrugada) que elege o major Germano Miquelina Simões como comandante interino. General Otelo Saraiva de Carvalho e capitão Vasco Lourenço dirigem-se à unidade para encontrar uma solução.
31 de Julho de 1975 – Américo Duarte, deputado da UDP, apresenta uma proposta de disposição constitucional sobre a amnistia incondicional a todos os desertores da guerra colonial e refractários, assim como o apoio a dar aos deficientes das Forças Armadas.
31 de Julho de 1975 – Vasco da Gama Fernandes, deputado do PS por Leiria, refere-se às dificuldades com que se debate a Comissão de Auxílio aos Antifascistas Exilados em Portugal, da qual faz parte, e aos problemas que afectam os exilados chilenos, brasileiros e espanhóis.
31 de Julho de 1975 – José Medeiros Ferreira, deputado do PS por Lisboa, faz uma declaração de voto sobre o relatório e parecer da Comissão dos Princípios Fundamentais da Constituição.
31 de Julho de 1975 – António Barbosa de Melo, deputado do PPD por Coimbra, refere-se, na sua qualidade de presidente da Comissão dos Princípios Fundamentais da Constituição, aos trabalhos aí realizados.
31 de Julho de 1975 – Maria de Lurdes Matos Pintassilgo toma posse do cargo de embaixadora de Portugal junto da UNESCO.
31 de Julho de 1975 – General António de Spínola declara ao jornal francês LE MONDE que as suas ideias coincidem «em vários pontos, com a ideologia do Partido Socialista», concordando com as posições do PS e do PPD «a favor da democracia e da liberdade do povo português».
Julho de 1975 – 21 enfermeiras leigas do Hospital Maria Pia, Porto, apresentaram um caderno reivindicativo pedindo a melhoria da assistência aos doentes e o afastamento da religiosa Deolinda Machado, enfermeira-chefe, devido às atitudes prepotentes. Em consequência, 10 enfermeiras seriam suspensas pela Comissão Instaladora.
Julho de 1975 – Delegados e dirigentes sindicais do sector têxtil que estavam reunidos em Ofir, Esposende, para analisar e organizar a reconversão do sector, são agredido e apedrejados.
Julho de 1975 – Durante este mês ocorreram 86 acções de violência contra sedes de partidos à esquerda do PS.
Julho de 1975 – OCMLP saúda o povo angolano e o MPLA, «a verdadeira vanguarda da luta do povo de Angola».