domingo, 25 de Abril de 2010

25 de Abril - Dia da Liberdade

25 de Abril de 1974 – O programa Limite da Rádio Renascença transmite a canção “Grândola Vila Morena”, às 0h20, sinal confirmativo de que as operações militares planeadas pelo MFA estão em marcha, para que os militares dessem início às operações previstas. Na cabine da estação estavam Paulo Coelho (locutor), Manuel Tomás (sonoplastia e produção) e José Videira (técnico de som).

25 de Abril de 1974 – Os capitães Francisco Fialho da Rosa, Veríssimo da Cruz e Madeira, controlam o Centro Nacional de Transmissões e um dos torreões da Escola Prática de Transmissões, donde passam a escutar das redes rádio da GNR, LP, PIDE/DGS e PSP e os telefones dos Ministro do Exército, Subsecretário de Estado do Exército, Chefe do Estado-Maior do Exército e Ministro da Defesa, estabelecendo ligação directa ao Posto de Comando do MFA, às 0h30.

25 de Abril de 1974 – Um grupo de capitães e subalternos armados dá voz de prisão ao oficial de dia da EPAM, alferes miliciano Pinto Bessa, e ao oficial de prevenção, aspirante miliciano Leão, às 0h30. O capitão Carlos Joaquim Gaspar assume provisoriamente as funções de oficial de serviço, coadjuvado pelos capitães Teófilo Bento e Jesus, tenentes Félix Pereira, Santos Silva e Ávila e alferes Manuel Geraldes.

25 de Abril de 1974 – Os capitães Rui Rodrigues, Aguda, Albuquerque, Silvério e os majores Aurélio Trindade e Cerqueira Rocha, assumem o comando da EPI (Mafra), às 0h30, com a neutralidade do coronel Fernando Jasmins de Freitas. O brigadeiro José Henriques da Silva, comandante da EPI, não aderiu ao MFA.

25 de Abril de 1974 – O major Rui Costa Ferreira, e os capitães Fernando Salgueiro Maia, Garcia Correia, Bernardo e Aguiar tentam em vão aliciar o 2.º comandante da EPC, tenente-coronel Henrique Sanches, único oficial superior que permanecia no Quartel, que seria detido (0h45).

25 de Abril de 1974 – Os capitães Oliveira Pimentel e Frederico Morais, o tenente miliciano Silva Pinheiro e os aspirantes milicianos Simões, Moreira, Trindade e Serrinha, com a neutralidade do coronel Jaime Banazol, iniciam os preparativos no Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC), para a tomada da Emissora Nacional (0h40).

25 de Abril de 1974 – O major José Cardoso Fontão, capitães Lopes Camilo e João Bicho Beatriz, tenente Mascarenhas, os alferes Frazão, Baptista e Lopes e aspirante Teixeira, mandam fechar os portões e neutralizar a central rádio do BC 5 (1h).

25 de Abril de 1974 – O tenente miliciano Luís Ribeiro Pessoa consegue a adesão imediata dos cabos milicianos do CIMSM (Santa Margarida), à 1h.

25 de Abril de 1974 – Major João Pereira Rodrigues, do CIAAC, em Cascais, cumprindo ordens do coronel Aristides Pinheiro, impede a entrada dos tenentes Ponces de Carvalho, Freire Nogueira e Custódio Pereira, alferes Duarte e aspirante Almeida (1h30), unidade que, ao contrário do que se previa, não adere ao Movimento.

25 de Abril de 1974 – Os capitães Diamantino Gertrudes da Silva, Arnaldo da Silveira Costeira, Aprígio Ramalho, António Ferreira do Amaral e Amândio Augusto assumem o comando do RI 14, de Viseu (1h30), e passam a controlar a central telefónica e os postos de rádio, preparando a companhia que se juntará a outras unidades, ao mesmo tempo que vigiam os coronéis Ferreira da Silva e Gama, presidente e vogal do Tribunal Militar Territorial, que pernoitam na unidade.

25 de Abril de 1974 – Coronel Nuno Caldas Duarte, comandante do Regimento de Cavalaria 3 (RC 3), Estremoz, ao ser abordado pelos capitães Andrade Moura e Alberto Ferreira e major Machado Faria, mostra-se indeciso e pede tempo para reflectir na missão de marchar sobre Lisboa com uma coluna de autometralhadoras (1h30), devido a pressão do tenente-coronel Nélson Valente.

25 de Abril de 1974 – Os capitães António Delgado Fonseca, Francisco Freire, José Lopes de Oliveira e Dias Afonso, os tenentes António Angeja, Agostinho Saraiva da Rocha, Apolinário, Amadeu Gambão, Ferreira da Silva, alferes Cambão e os sargentos Isaac, Madaíl, Silvério, Moreira, Ludovico e Celestino, neutralizam o comandante do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), de Lamego, tenente-coronel José Sacramento Marques.

25 de Abril de 1974 – Os capitães Dinis de Almeida e Fausto Almeida Pereira assumem o controlo do Regimento de Artilharia Pesada 3 (RAP 3), Figueira da Foz, e abrem o portão da unidade aos oficiais da Escola Central de Sargentos (ECS) de Águeda, às 2h30.

25 de Abril de 1974 – Forças da EPI ocupam os pontos-chave de Mafra, assegurando o domínio da vila e dos respectivos acessos, às 2h30.

25 de Abril de 1974 – Uma coluna da Escola Prática de Engenharia (EPE) sai de Tancos para se dirigirem à ponte da Golegã-Chamusca, onde se junta às Companhias de Caçadores oriundas de Santa Margarida, às 2h40, com vista à ocupação do emissor do RCP, em Porto Alto, a Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira, e da Casa da Moeda, em Lisboa.

25 de Abril de 1974 – Início do cumprimento das missões militares, às 3 horas, de acordo com o “Plano Geral das Operações”. As principais forças do MFA são as seguintes: Regimento de Engenharia n.º 1 (RE1), Lisboa; Escola Prática de Administração Militar (EPAM), Lisboa; Batalhão de Caçadores n.º 5 (BC 5), Lisboa; Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL1), Lisboa; Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC), Cacém; Regimento de Infantaria n.º 1 (RI1), Lisboa; Centro de Instrução de Artilharia Antiaérea e de Costa (CIAAC), Lisboa; Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa (RAAF), Lisboa; 10.º Grupo de Comandos, Lisboa; Escola Prática de Infantaria (EPI), Mafra; Escola Prática de Cavalaria (EPC), Santarém; Escola Prática de Artilharia (EPA), Vendas Novas; Regimento de Cavalaria n.º 3 (RC3), Estremoz; Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), Lamego.

25 de Abril de 1974 – Principais movimentações das forças do MFA, a partir das 3h: Quartel-General da Região Militar de Lisboa, ocupado por uma companhia do BC 5; EPI sai para ocupar o Aeroporto de Lisboa; Companhias de Caçadores ocupam as antenas do RCP; 5.º Grupo de Comandos sai de Tomar para intervir no RC 7; força do RI 14 junta-se à da Figueira da Foz.

25 de Abril de 1974 – Um destacamento da EPAM, comandada pelo capitão Teófilo da Silva Bento, coadjuvado pelos tenentes Santos Silva, Matos Borges e Cerdeira, os alferes Manuel Geraldes e Martins, aspirante miliciano António Reis e furriel miliciano Rosado, ocupa os estúdios do Lumiar da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), às 3h.

25 de Abril de 1974 – Do CIOE, (Lamego), sai uma companhia, às 3h, liderada pelo capitão António Delgado da Fonseca, que vai ocupar a sede da PIDE/DGS no Porto.

25 de Abril de 1974 – Oito oficiais ocupam o Rádio Clube Português, às 3h12, tendo o capitão Santos Coelho informado o Posto de Comando de que a emissora passara para as mãos do MFA. A estação fica a ser defendida pela 2.ª Companhia Operacional do BC 5, sob ordens do major Cardoso Fontão e tenente Mascarenhas, e pelo 10.º Grupo de Comandos, comandada pelo capitão Mendonça de Carvalho.

25 de Abril de 1974 – A coluna do CTSC (Cacém), comandada pelos capitães Frederico Morais e Oliveira Pimentel, ocupa a estação de rádio oficial Emissora Nacional, às 3h15.

25 de Abril de 1974 – Uma força do CICA 1, comandada pelo tenente-coronel Carlos Azeredo, coadjuvado pelos majores Eurico Corvacho e Nogueira Albuquerque e capitão Boaventura Ferreira e alferes miliciano Barbosa, ocupa o Quartel-General da Região Militar do Norte (QGRMN), transformando-o no posto de comando das forças em operações na Região Norte, às 3h15.

25 de Abril de 1974 – O Posto de Comando do MFA intercepta uma conversa telefónica entre o general Alberto de Andrade e Silva, ministro do Exército, e o prof. Joaquim da Silva Cunha, ministro da Defesa, às 3h16, na qual trocam impressões sobre a situação geral, dizendo que a PIDE/DGS vigiava os oficiais que preparavam um jantar de carácter conspirativo, acrescentado aquele primeiro membro do governo que «a situação está sem alteração e perfeitamente sob controlo... está tudo sossegado e não há qualquer problema em qualquer ponto do País», concluindo que Presidente da República, que nesse dia iria visitar Tomar, «pode deslocar-se à vontade, porque, por lá, está tudo calmo».

25 de Abril de 1974 – Major Fernando da Silva Pais, director da PIDE/DGS, telefone (às 3h30) ao ministro da Defesa, não lhe relatando qualquer movimentação militar.

25 de Abril de 1974 – A força da EPC, composta por 10 viaturas blindadas, 12 viaturas de transporte, duas ambulâncias, um jipe e uma viatura civil, comandada pelo capitão Fernando Salgueiro Maia, sai de Santarém em direcção a Lisboa, às 3h30.

25 de Abril de 1974 – Uma bateria de artilharia da EPA, comandada pelo capitão Duarte Mendes e coadjuvada pelos alferes Gaspar Madeira e Formeiro Monteiro e aspirante miliciano Guerra, ocupa posições nas estradas de Montemor-o-Novo e Lavre;

25 de Abril de 1974 – A 1.ª Companhia Operacional do BC 5, comandada pelo capitão João Bicho Beatriz, coadjuvado pelos aspirantes Sajara e Teixeira, cerca o Quartel-General da Região Militar de Lisboa, às 3h30. O aspirante Silva, oficial de serviço, informa o chefe do Estado-Maior do Governo Militar de Lisboa, coronel Duque, da situação.

25 de Abril de 1974 – Coronel Santos Júnior, comandante da PSP do Porto, informa o Comando da GNR da tomada do QGRMN pelos revoltosos afectos ao MFA, às 3h35.

25 de Abril de 1974 – A coluna do RI 10 de Aveiro, comandada pelo capitão Pizarro, chega aos portões do RAP 3, onde coronel Sílvio Aires de Figueiredo, comandante da última unidade, é então detido pelo capitão Dinis de Almeida, às 3h40. O capitão Ferreira da Cal, coadjuvado pelo capitão Fausto de Almeida Pereira, assume o comando da unidade.

25 de Abril de 1974 – O Posto de Comando do MFA toma conhecimento que o Governo já sabe de uma «concentração que avança sobre Lisboa», ao interceptar (às 3h56) um telefonema do general Andrade e Silva, ministro do Exército, a dar conta da situação ao major Silva Pais, director da PIDE/DGS.

25 de Abril de 1974 – General Edmundo da Luz Cunha, governador militar de Lisboa, telefona para o CEMGFA (general Joaquim da Luz Cunha), Ministros do Exército (general Alberto de Andrade e Silva), Marinha (almirante Manuel Pereira Crespo) e Defesa Nacional (prof. Joaquim da Silva Cunha) e ao Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (general Brilhante de Paiva), dando conhecimento da eclosão do Movimento, às 4h.

25 de Abril de 1974 – Um força de trinta homens do BC 5 garante a segurança da residência do general António de Spínola, às 4 horas.

25 de Abril de 1974 – O general Eduardo Martins Soares, comandante da Região Militar do Norte, apela (às 4h15) aos coronéis Rui Mendonça, comandante do RI 8, e Carneiro de Magalhães, comandante do RI 13, ambos de Braga, para avançarem sobre o Porto e libertarem o QGRMN das mãos dos insurrectos, não sendo obedecido.

25 de Abril de 1974 – O Grupo L 34, constituído pelos capitães António Alves Martins, José Ribeiro da Silva, António Morais da Silva e Rui Faria de Oliveira e tenente Américo Fernandes Henriques, todos oficiais da Academia Militar (Amadora), tenta deter o coronel António Romeiras Júnior.

25 de Abril de 1974 – Um grupo de oficiais formado pelo majores Adérito Figueira, Hugo dos Santos e Vasco Rosado Durão, tenta, em vão, deter o tenente-coronel Ferrand de Almeida.

25 de Abril de 1974 – O Aeroporto de Lisboa e o Aeródromo Base de Figo Maduro são ocupados pela coluna da EPI, comandada pelo capitão Rui Rodrigues, às 4h20. O capitão José da Costa Martins emite um comunicado interditando o espaço aéreo português e desviando o tráfego para Las Palmas e Madrid.

25 de Abril de 1974 – O Rádio Clube Português transmite o primeiro comunicado do MFA, às 4h26, lido por Joaquim Furtado, seguido de transmissão do Hino Nacional e das marchas militares de John Philip de Sousa.

25 de Abril de 1974 – Os capitães Pacheco, Dias Costa e Ferreira da Silva assumem o comando do Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 (GACA 2), Torres Novas, e conseguem a adesão dos tenentes milicianos das companhias mobilizadas brevemente para o Ultramar.

25 de Abril de 1974 – Major José Cardoso Fontão comunica (4h30) ao Posto de Comando do MFA a rendição do QGRML sem incidentes, após ocupação pela 1.ª Companhia Operacional do BC 5.

25 de Abril de 1974 – Major Coronel Nuno Franco Duarte, comandante do Regimento de Cavalaria 3, adere ao MFA.

25 de Abril de 1974 – Coronel Ramos de Freitas, chefe do Estado-Maior do QGRMN, foi detido à saída da sua residência, no Porto, às 4h30, por forças do CICA 1.

25 de Abril de 1974 – Transmissão do segundo comunicado do MFA, às 4h45, reforçando as recomendações anteriores, lido por Joaquim Furtado.

25 de Abril de 1974 – O Quartel-General da Região Militar de Coimbra (QGRMC) toma conhecimento (4h45) do golpe de Estado em curso.

25 de Abril de 1974 – Reunião de emergência do governador da Região Militar de Lisboa, general Edmundo da Luz Cunha, com corpo do seu Estado-Maior na residência do respectivo subchefe, às 4h45.

25 de Abril de 1974 – O Quartel-General da Região Militar de Évora (QGRME) entra em prevenção rigorosa, às 5h, por ordem do Ministério do Exército ao chefe do Estado-Maior da região, coronel Cunha Saco.

25 de Abril de 1974 – Prof. Marcello Caetano recebe um telefonema do director-geral da PIDE/DGS, major Fernando da Silva Pais, às 5h, que lhe comunica: «Senhor Presidente, a Revolução está na rua!». Aconselha que o Presidente do Conselho se refugiasse no Quartel do Comando-Geral da GNR, no Largo do Carmo, pois «a GNR está fixe».

25 de Abril de 1974 – D. Maria de Lurdes Rocha, chefe do Serviço de Limpeza e Lavandaria do Quartel do Carmo, foi encarregada de preparar cinco quartos para receber o Presidente do Conselho prof. Marcello Caetano.

25 de Abril de 1974 – O Batalhão de Caçadores 9, de Viana do Castelo, ocupa e controla o aeroporto de Pedras Rubras, no Porto.

25 de Abril de 1974 – O Aeródromo de Tires é ocupado é pelo CIAAC, às 5h15.

25 de Abril de 1974 – Transmissão do terceiro comunicado do MFA, às 5h15, que aconselha a população a permanecer em casa, redigido pelo tenente-coronel Fisher Lopes Pires.

25 de Abril de 1974 – O general Nascimento telefona (5h19) ao CEMGFA, general Joaquim da Luz Cunha, a informá-lo que «está muita tropa na rua».

25 de Abril de 1974 – O general Fernando Viotti de Carvalho, vice-chefe do Estado-Maior do Exército, ordena (5h20) ao comandante da EPTm para proceder à escuta das comunicações militares e as relatasse ao Estado-Maior.

25 de Abril de 1974 – Um improvisado Comando-Geral de Segurança Interna dirige as acções governamentais a partir do Terreiro do Paço: general Alberto de Andrade e Silva (ministro do Exército), prof. Joaquim da Silva Cunha (ministro da Defesa Nacional), general Joaquim da Luz Cunha (CEMGFA), general Edmundo da Luz Cunha (governador militar de Lisboa), dr. César Moreira Baptista (ministro do Interior), contra-almirante Manuel Pereira Crespo (ministro da Marinha), coronel Carlos Viana de Lemos (subsecretário do Exército) e contra-almirante Henrique Tenreiro.

25 de Abril de 1974 – O ministro do Exército ordena (5h27) ao Regimento de Infantaria 6, do Porto, que liberte o QGRMN, determinação que o coronel Passos de Esmeriz não cumprirá.

25 de Abril de 1974 – O Comando Territorial do Algarve (CTA) ordena a entrada em prevenção rigorosa das suas três unidades, às 5h30.

25 de Abril de 1974 – Capitão Fernando Salgueiro Maia cruza-se com viaturas da Polícia de Segurança Pública, no Campo Grande, às 5h30.

25 de Abril de 1974 – Prof. Marcello Caetano e o comandante Adriano Coutinho Lanhoso, ajudante-de-campo do Presidente do Conselho, entram no Quartel da GNR, no Largo do Carmo, às 5h30, onde são recebidos pelo general Adriano Augusto Pires, comandante-geral da GNR, brigadeiro Luiz Tavares de Figueiredo, 2.º comandante-geral, coronel Ângelo Ferrari, chefe do Estado-Maior, e capitão Santiago de Carvalho, comandante da segurança interna do quartel.

25 de Abril de 1974 – O ministro do Exército informa (5h32) o general Carvalhais da prioridade na protecção aos CTT, serviços de águas e electricidade.

25 de Abril de 1974 – A agência France Press emitiu um telex a informar «movimentos de tropas em Lisboa», assinalando uma «certa actividade no Ministério da Defesa» e que «o emissor nacional de rádio estaria cercado por tropas».

25 de Abril de 1974 – Transmissão do quarto comunicado do MFA, às 5h45, alertando que a situação não se encontra ainda totalmente controlada.

25 de Abril de 1974 – O Ministro do Exército ordena (5h46) ao coronel António Romeiras Júnior, comandante do Regimento de Cavalaria 7 (RC 7), que tome posições em Vale de Cavalos, Chamusca, para deter uma coluna da EPC que fora «referenciada no Cartaxo» e que «vem a caminho de Lisboa».

25 de Abril de 1974 – Uma força do CICA 1 ocupa o centro emissor de Miramar (Porto) do RCP, às 5h50.

25 de Abril de 1974 – A Escola Prática de Cavalaria ocupa o Terreiro do Paço, às 5h50.

25 de Abril de 1974 – O ministro do Exército telefona (5h59) de novo ao coronel Romeiras Júnior, e pede-lhe que «veja se consegue salvar esta coisa, pois estamos todos cercados».

25 de Abril de 1974 – A EPC cerca os ministérios, a Câmara Municipal de Lisboa, os acessos ao Governo Civil de Lisboa, a 1.ª Divisão da PSP, o Banco de Portugal e a Rádio Marconi, às 6h.

25 de Abril de 1974 – Major Correia Barrento, chefe do Estado-Maior do Quartel-General da Região Militar de Tomar (QGRMT) ordena o estado de prevenção rigorosa às unidades da região, às 6h.

25 de Abril de 1974 – O alferes miliciano Luís David e Silva chega ao Terreiro do Paço, às 6h05, comandando um pelotão motorizado de Chaimites reforçado com Panhards do RC 7, favorável ao Governo.

25 de Abril de 1974 – Rendem-se os dois pelotões da PM que guardavam o Ministério do Exército, comandados pelos aspirantes Saldida, que de imediato se colocam sob as ordens do MFA.

25 de Abril de 1974 – O ministro do Exército pede (6h10) ao general Henrique Troni para «mandar dois aviões sobrevoar o Terreiro do Paço».

25 de Abril de 1974 – Coronel Costa Pinto, comandante do Batalhão n.º 1 da GNR, avisa (6h15) o brigadeiro Junqueira dos Reis, 2.º comandante do Governo Militar de Lisboa, sobre a movimentação de tropas adversas.

25 de Abril de 1974 – Rende-se o pelotão do Regimento de Cavalaria 7, fiel ao Governo, comandado pelo alferes miliciano Luís David e Silva, e que após conversações se coloca às ordens do MFA, às 6h30.

25 de Abril de 1974 – É chamado o 2.º comandante da RML, brigadeiro Junqueira dos Reis, para comandar as Forças Governamentais, às 6h30.

25 de Abril de 1974 – Major Otelo indigita o tenente-coronel António Correia de Campos, às 6h45, que será escoltado pelo major Jaime Neves, para prender o Ministro do Exército.

25 de Abril de 1974 – O Posto de Comando toma conhecimento de que Marcello Caetano, Presidente do Conselho de Ministros, está no Quartel do Carmo, às 6h45.

25 de Abril de 1974 – O Agrupamento do Norte, composto por forças de Artilharia Pesada do Porto, Infantaria de Aveiro, CICA 2 e Infantaria de Viseu, no qual estão integrados o capitães Dinis de Almeida, Góis Moço, Pizarro e Rocha Santos, e o tenente Garcia, dirige-se ao Forte de Peniche, prisão da PIDE/DGS.

25 de Abril de 1974 – A bateria de obuses do Regimento de Artilharia Pesada 2, Vila Nova de Gaia, toma posição nas entradas da Ponte da Arrábida, no Porto, às 6h50, sob as ordens do MFA.

25 de Abril de 1974 – Uma força do Regimento de Lanceiros 2, sob comando do tenente Ravasco, major Campos Andrada e major Manuel da Cruz Azevedo, tenta, em vão, reocupar o QGRML, às 6h50.

25 de Abril de 1974 – A bateria de artilharia da EPA toma posição em Almada, sob comando do capitão Oliveira Patrício, coadjuvado pelos tenentes Marques Nave, Almas Imperial, Pereira de Sousa e aspirantes milicianos Tolentino e Gonçalves, às 7h. Tem por objectivo dominar Monsanto e o Terreiro do Paço.

25 de Abril de 1974 – A companhia de artilharia motorizada da EPA monta segurança em Almada e à ponte do rio Tejo, sob ordens dos capitães Mira Monteiro e José Canatário Serafim, coadjuvados pelos tenentes Andrade e Silva, António Pedro, Ribeiro Baptista, Amílcar Rodrigues e Jesus Duarte, e alferes milicianos Carvalho, Salgueiro e Medeiros.

25 de Abril de 1974 – Chegada à Ribeira das Naus de nova força de reconhecimento do RC 7, comandada pelo tenente-coronel Ferrand de Almeida, às 7h.

25 de Abril de 1974 – No Terreiro do Paço, oficiais da Polícia Militar e o capitão Maltez Soares, da divisão da PSP, põem-se às ordens do MFA após conversações com os capitães Salgueiro Maia e Tavares de Almeida e alferes miliciano Maia Loureiro, às 7h, para descongestionar o trânsito na zona

25 de Abril de 1974 – Um esquadrão do RC 3 sai do quartel de Estremoz (7h), sob comando dos capitães Luís de Andrade Moura e Alberto Ferreira, e desloca-se para a ponte do rio Tejo, onde se junta aos capitães Miquelina Simões e Gastão Silva, do Regimento de Lanceiros 1 de Elvas.

25 de Abril de 1974 – Transmissão do 5.º comunicado do MFA, às 7h30, lido Luís Filipe Costa.

25 de Abril de 1974 – Tenente-coronel Ferrand de Almeida, 2.º comandante do RC 7, rende-se ao capitão Salgueiro Maia e ao tenente Correia Assunção.

25 de Abril de 1974 – Contra-almirante Jaime Lopes, vice-chefe do Estado-Maior da Armada, e o comandante Malheiro Garcia, oficial do Estado-Maior, dão ordem à fragata Almirante Gago Coutinho para ocupar posição em frente do Terreiro do Paço, às 7h30, e preparar-se para abrir fogo «fim de intimidar uma força revoltosa do Exército».

25 de Abril de 1974 – Um Companhia de Caçadores, comandada pelo tenente miliciano Luís Ribeiro Pessoa, ocupa o centro emissor do RCP, em Porto Alto, às 7h40.

25 de Abril de 1974 – Tenente-Coronel António Charão Vinhas, 2.º comandante do BC 5, que não tinha aderido ao MFA, é interceptado pela 2.ª Companhia Operacional do BC 5 junto ao Rádio Clube Português, às 7h45, sendo preso e recolhido sob custódia para o quartel da Pontinha.

25 de Abril de 1974 – Os capitães José Glória Alves e Filipe Ferreira Lopes, à frente de um pelotão do Centro de Instrução de Condução Auto 5 (CICA 5), de Lagos, ocupam o centro retransmissor de Fóia, às 7h50.

25 de Abril de 1974 – A Emissora Nacional suspende a emissão, às 7h52.

25 de Abril de 1974 – Ocorreram incidentes verbais entre o capitão-de-fragata António Seixas Louçã, comandante da fragata Almirante Gago Coutinho, e o primeiro-tenente Fernando Ferreira dos Santos, oficial imediato, e o primeiro-tenente Dores de Sousa, chefe do Serviço da Artilharia, sobre a interpretação e cumprimento da ordem recebida, às 8h.

25 de Abril de 1974 – Uma força do Regimento de Lanceiros 2, contrária ao MFA, toma posição na Ribeira das Naus, em Lisboa, às 8h.

25 de Abril de 1974 – O Governo ordena o corte dos telefones e de energia eléctrica aos estúdio da Sampaio e Pina e ao emissor de Porto Alto do Rádio Clube Português, às 8h.

25 de Abril de 1974 – Major Campos Andrada apresenta-se no Posto de Comando e adere ao MFA.

25 de Abril de 1974 – Tenente-coronel Fernando Xavier de Brito, como emissário do general António de Spínola, tenta por duas vezes aliciar o coronel Serra Pereira, comandante do Regimento de Cavalaria da GNR, a aderir ao MFA.

25 de Abril de 1974 – Uma força motorizada da GNR do Quartel do Cabeço de Bola, sob comando do capitão Andrade e Sousa, e dos subalternos tenentes Dário Guiomar e Bairrada, toma posição no Campo das Cebolas, às 8h15, mas abandono o local pouco depois.

25 de Abril de 1974 – General Joaquim da Luz Cunha, CEMGFA, informa o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general João Paiva Brandão, às 8h22, que pretende utilizar meios da Escola Prática do Serviço de Material (EPSM) para tomar posições e libertar o Aeródromo Base 1.

25 de Abril de 1974 – O Ministro do Exército ordena a abertura, à picareta, de uma parede de tijolo que dava para o Ministério da Marinha, às 8h30.

25 de Abril de 1974 – Uma força da PSP chega ao Terreiro do Paço, mas nem tenta entrar em confronto com as tropas de Salgueiro Maia, às 8h30.

25 de Abril de 1974 – Terceiro dia da greve dos trabalhadores da UTIC.

25 de Abril de 1974 – Uma coluna motorizada da EPE de Tancos estaciona no centro emissor do RCP, às 8h50, seguindo mais tarde para ocupar a Casa da Moeda, em Lisboa.

25 de Abril de 1974 – Coronel Ponte, na situação de reserva, assume interinamente o comando do Quartel-General da Região Militar do Norte, em nome do MFA.

25 de Abril de 1974 – A fragata Almirante Gago Coutinho, comandada pelo capitão-de-fragata António Seixas Louçã, estaciona em frente ao Terreiro do Paço, intimidando directamente as forças de Salgueiro Maia. Perante isso, a artilharia do MFA, estacionada no Cristo-Rei, recebe ordens do Posto de Comando para afundar a fragata, no caso de esta abrir fogo.

25 de Abril de 1974 – Brigadeiro Pedro Serrano é interceptado junto do Quartel-General da Região Militar de Lisboa, às 9h, sendo preso e recolhido ao BC 5 sob custódia do major Cardoso Fontão.

25 de Abril de 1974 – É lido pela primeira vez um comunicado do MFA através do emissor de Miramar do Rádio Clube Português.

25 de Abril de 1974 – Uma pequena força comandada pelo alferes graduado Sequeira Marcelino e aspirante miliciano Pedro Ricciardi foi enviada para reforçar as tropas do B.C. 5 que ocupavam o Quartel-General da Região Militar de Lisboa, em São Sebastião da Pedreira, sob a ordem do capitão João Bicho Beatriz, às 9h10.

25 de Abril de 1974 – Tenente-coronel Graciano Antunes Henriques assume o comando interino do Regimento de Infantaria 14, de Viseu, em substituição do coronel Almeida Azevedo, às 9h30.

25 de Abril de 1974 – Forças leais ao Governo constituída por quatro carros de combate, uma companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1 e pelotões da Polícia Militar, comandadas pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, 2.º comandante da Região Militar de Lisboa, coadjuvado pelo coronel António Romeiras Júnior e major Pato Anselmo, chegam ao Terreiro do Paço, às 9h35, progredindo pela Rua Ribeira das Naus e Rua do Arsenal.

25 de Abril de 1974 – Os ministros da Defesa, prof. Joaquim da Silva Cunha, da Informação e Turismo, dr. César Moreira Baptista, do Exército, general Alberto de Andrade e Silva, e da Marinha, contra-almirante Manuel Pereira Crespo, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Joaquim da Luz Cunha, o Governador Militar de Lisboa, general Edmundo da Luz Cunha, o subsecretário de Estado do Exército, coronel Carlos Viana de Lemos, e o almirante Henrique Tenreiro fogem por um buraco que abriram na parede do ministério do Exército com a biblioteca do Ministério da Marinha, e dirigem-se para o Regimento de Lanceiros 2, onde instalaram o Posto de Comando das forças leais ao Governo, às 9h40.

25 de Abril de 1974 – O Chefe do Estado Maior da Armada, vice-almirante Eugénio Ferreira de Almeida, contacta o capitão-tenente Guilherme de Alpoim Calvão, comandante da Polícia Marisma do Porto de Lisboa, no sentido de tentar interromper a emissão do Rádio Clube Português. Este recomenda o bombardeamento das antenas de Porto Salvo com morteiros.

25 de Abril de 1974 – Milhares de pessoas, contrariando os apelos do MFA, vêm para a rua e rodeias as forças armadas em grandes manifestações de júbilo.

25 de Abril de 1974 – Na Ribeira das Naus, o alferes miliciano Fernando Gomes Sottomayor, do RC 7, não obedece às ordens do brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre Salgueiro Maia e as suas tropas, o que leva o brigadeiro a dar ordem de prisão a Sottomayor e a ordenar aos soldados que disparassem. Perante a recusa de todos, Junqueira dos Reis dispara dois tiros para o ar, abandona o local e dirige-se para a rua do Arsenal, às 10h.

25 de Abril de 1974 – Tenente-coronel António Correia de Campos, enviado do Posto de Comando da Pontinha, passa a comandar as operações no Terreiro do Paço, às 10h10.

25 de Abril de 1974 – Um grupo de comandos, liderados pelo tenente-coronel Correia de Campos e major Jaime Neves, passa revista ao Ministério do Exército, às 10h15, confirmando a fuga dos ministro, procedendo à detenção de diversos oficiais, incluindo o coronel Álvaro Fontoura, chefe de gabinete do ministro do Exército.

25 de Abril de 1974 – São fechados os acessos ao Terreiro do Paço e barricadas as ruas Augusta, do Ouro e da Prata, às 10h15.

25 de Abril de 1974 – Prof. Marcello Caetano ordena que o ministro da Defesa Nacional, prof. Joaquim da Silva Cunha, passe a comandar as operações de defesa do regime, em substituição do general Andrade e Silva.

25 de Abril de 1974 – Elmano Alves, presidente da Comissão Executiva da Acção Nacional Popular (ANP), pede a intervenção do Governo espanhol, para sufocar a revolta militar.

25 de Abril de 1974 – Um grupo de fuzileiros, comandados por Eugénio Carvalheiro, aproxima-se da sede da PIDE/DGS, às 10h25, mas retira de imediato devido à polícia política não se render, porque «o governo de Marcello Caetano ainda estava no poder».

25 de Abril de 1974 – Rendição do major Pato Anselmo, do RC 7, às 10h30, depois de ter progredido do Cais do Sodré em direcção aos blindados da EPC, após conversações com o capitão Tavares de Almeida, alferes miliciano Maia Loureiro e ex-alferes miliciano Fernando Brito e Cunha. Os dois carros de combate e as tropas que os seguiam passam-se para o lado dos revoltosos.

25 de Abril de 1974 – Transmissão de um novo comunicado do MFA, às 10h30.

25 de Abril de 1974 – A companhia do CICA 2 e duas secções de obuses do RAP 3, do Agrupamento Norte, comandado pelo capitão Gertrudes da Silva, cercam a prisão Peniche devido à resistência da PIDE/DGS, às 10h30, enquanto o grosso da coluna segue para Lisboa.

25 de Abril de 1974 – O juiz desembargador Fernando Morgado Florindo preside à sessão do Tribunal Plenário Criminal de Lisboa para julgamento dos arguidos da Acção Revolucionária Armada (ARA). Como os réus não comparecem, exarou um despacho (10h30), dizendo que «tendo a DGS comunicado telefonicamente a impossibilidade de assegurar a condução dos réus a este tribunal, devido a um movimento das Forças Armadas, adio sine die o julgamento».

25 de Abril de 1974 – Na Rua do Arsenal, o brigadeiro Junqueira dos Reis dá ordem de fogo sobre os tenentes Alfredo Correia Assunção e Santos Silva e furriel miliciano Nunes, que foram enviados por Salgueiro Maia para negociar com as forças governamentais. Tendo sido, de novo, desobedecido pelos seus militares, acaba por dar três murros no tenente Assunção, às 10h45.

25 de Abril de 1974 – Brigadeiro Junqueira dos Reis, 2.º governador militar de Lisboa, mantém as posições e forças que lhe restavam, às 11h, não tomando a iniciativa, devido à incapacidade de se fazer obedecer.

25 de Abril de 1974 – General Louro de Sousa, responsável do Quartel Mestre General da Região Militar de Lisboa, e brigadeiro Jaime Silvério Marques são interceptados, às 11h, e recolhem sob custódia ao BC 5.

25 de Abril de 1974 – Major Fernando da Silva Pais, Óscar Cardoso, Sílvio Mortágua, Abílio Pires e Agostinho Tienza, da PIDE/DGS, concedem um plano para evacuar Marcello Caetano do Quartel do Carmo.

25 de Abril de 1974 – Tropas do CIOE de Lamego detiveram o general Martins Soares e o brigadeiro Oliveira Barreto, respectivamente comandante e 2.º comandante da Região Militar do Norte.

25 de Abril de 1974 – Comunicado do Comité Lenine do MRPP intitulado “Ao Povo Português”, sobre o «golpe de estado conduzido por um sector da oficialagem do exército colonial-fascista» que «foi desencadeado contra o governo da camarilha marcelista». Alerta para «os chacais que se disputam, os abutres que conspiram, as hienas que entre si lutam», denuncia os liberais burgueses, os «sociais-democratas do carpideira Mário Soares e todos os seus “simpatizantes” na REPÚBLICA», o PCP como «partido revisionista é uma rameira que se entrega a quem melhor lhe paga» e a CDE.

25 de Abril de 1974 – Agostinho Barbieri Cardoso, da PIDE/DGS, encontra-se em França com o conde Alexandre de Marenches, director do Service de Documentation Extérieure et de Contre-Espionnage (SDECE), para ultimar a Operação Safira, a fim de derrubar Ahmed Sékou Touré e substitui-lo pelo coronel Diallo na presidência da Guiné-Conacri.

25 de Abril de 1974 – Major Otelo Saraiva de Carvalho envia uma coluna militar blindada comandada pelo major Jaime Neves e capitão António Morais da Silva, para ocupar o Quartel-General da Legião Portuguesa na Penha de França, às 11h30.

25 de Abril de 1974 – A coluna da EPC comandada pelo capitão Fernando Salgueiro Maia, adjuvado pelo capitão Tavares de Almeida e aspirante Laranjeira, é enviada para cercar o Quartel da GNR, no Largo do Carmo, onde se encontravam Marcello Caetano, Rui Patrício, ministro dos Negócios Estrangeiros e Moreira Baptista, ministro da Informação e Turismo, às 11h30.

25 de Abril de 1974 – Uma força do RC 7, RL 2 e RL 1, que tinham aderido ao MFA, comandadas pelos tenentes Cadete e Saturnino Balula Cid, dirige-se para o Quartel-General da Legião Portuguesa, na Penha de França.

25 de Abril de 1974 – Comunicado do MFA a informar o país que domina a situação de Norte a Sul, difundido às 11h45 através do RCP.

25 de Abril de 1974 – Os oficiais feitos prisioneiros no Terreiro do Paço são enviados para o Posto de Comando, na Pontinha, às 11h50, sob custódia do capitão José Ribeiro da Silva e o tenente Américo Fernandes Henriques.

25 de Abril de 1974 – A fragata Almirante Gago Coutinho retira para o Mar da Palha, às 12 horas.

25 de Abril de 1974 – Uma força da companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1, da Amadora, comandado pelo capitão Fernandes, colocada no Rossio, tenta impedir o acesso da coluna da EPC ao Quartel do Carmo, às 12h, mas a população, em ambiente de verdadeira euforia, cercou as forças pro-governamentais e tornou-as inoperacionais, confraternizando com os soldados, que aderiram depois à coluna de Salgueiro Maia.

25 de Abril de 1974 – Coronel Marcelino Marques assume interinamente o comando da Escola Prática de Administração Militar, às 12 h, substituindo o coronel Caldas Fidalgo.

25 de Abril de 1974 – Capitão Alarcão impede o normal funcionamento do emissor de Monsanto da RTP, recorrendo a manobras dilatórias de obstrução deliberada, situação que somente foi normalizada cerca das 18h30.

25 de Abril de 1974 – Richard Post, chefe da Missão dos Estados Unidos em Portugal e encarregado da embaixada americana, envia um telegrama para o Departamento de Estado norte-americano a descrever os acontecimentos.

25 de Abril de 1974 – Os oficiais subalterno, sargentos e praças do Regimento de Lanceiros 2 exigem a saída da unidade dos ministros Andrade e Silva, Silva Cunha e Pereira Crespo, que ali estavam refugiados.

25 de Abril de 1974 – A coluna da EPC, comandada por Salgueiro Maia, chega ao Chiado pela Rua do Carmo, envolvida por uma multidão de efusivos apoiantes civis, às 12h15.

25 de Abril de 1974 – As forças de Salgueiro Maia cercam o Largo do Carmo e recebem ordens do Posto de Comando para abrir fogo sobre o Quartel da GNR, se for necessário para obter a rendição de Marcello Caetano, às 12h30. Alferes Marcelino, comandante do 1.º pelotão de atiradores, coloca os militares em linha de fogo.

25 de Abril de 1974 – Forças governamentais da GNR ocupam posições desde a Rua Nova da Trindade até à retaguarda do dispositivo de Salgueiro Maia, às 12h45.

25 de Abril de 1974 – A população distribui comida, leite e cigarros pelos militares presentes no Largo do Carmo. Forças da GNR tomam posição na retaguarda das tropas de Salgueiro Maia, em defesa do regime, às 12h45.

25 de Abril de 1974 – O brigadeiro Junqueira dos Reis tenta cercar as forças de Salgueiro Maia com a ajuda da GNR, da Polícia de Choque, uma companhia do RI 1 e o remanescente do RC7, às 13h, tomando posições no Largo de Camões, Largo da Misericórdia, Rua Nova da Trindade e Largo do Chiado.

25 de Abril de 1974 – Forças do Regimento de Cavalaria 3, de Estremoz, chegam à ponte sobre o Tejo e dirigem-se ao Largo do Carmo, às 13h15, por ordem do Posto de Comando, para dar apoio à retaguarda das forças da EPC.

25 de Abril de 1974 – É transmitido novo comunicado do MFA, às 13h.

25 de Abril de 1974 – Milhares de populares cercam as forças governamentais do brigadeiro Junqueira dos Reis, gritando palavras de ordem e apelos aos soldados para que depusessem as armas, às 13h15.

25 de Abril de 1974 – Mário Soares, que se encontrava em Bona, a convite de Willy Brandt, parte para Paris, após ter sido informado pelo SPD de que em Portugal eclodira um movimento militar.

25 de Abril de 1974 – Milhares de pessoas cercam as instalações da PIDE/DGS, na Rua de António Maria Cardoso, às 13h30, gritando palavras de ordem, cantando o Hino Nacional e dando vivas às Forças Armadas. Os agentes da polícia política assolaram e soltaram os cães, ao mesmo tempo que dispararam rajadas de metralhadora e lançaram granadas sobre a multidão, causando cinco feridos que foram tratados no Hospital de S. José. As ordens de fogo sob a multidão foram dadas pelo director-geral Silva Pais e pelo inspector superior Coelho Dias.

25 de Abril de 1974 – O Comando-Geral de Segurança Interna informa o Presidente do Conselho de que já «não tinha meios de acção» para reprimir o movimento militar.

25 de Abril de 1974 – Forças do MFA ocupam o Quartel-General da Legião Portuguesa, «sem qualquer incidente», às 13h40, depois da rendição do comandante-geral, general Pereira de Castro.

25 de Abril de 1974 – A companhia do Regimento de Infantaria 1 que apoiava Junqueira dos Reis, passa-se para o lado do MFA, e uma parte da guarnição dum blindado abandona-o, às 13h45, deixando o brigadeiro numa posição de crescente fraqueza.

25 de Abril de 1974 – A Cruz Vermelha Portuguesa instala um posto de socorros no Cais do Sodré, às 14h.

25 de Abril de 1974 – Iniciam-se as conversações entre o general António de Spínola e o prof. Marcello Caetano, para a obtenção da rendição do Presidente do Conselho, através de intermediários, às 14h.

25 de Abril de 1974 – Dr. Nuno Távora, chefe do gabinete do secretário de Estado da Informação e Turismo, chega à casa do general António de Spínola, às 14h, com uma carta de Pedro Pinto, secretário de Estado da Informação e Turismo, em que este se oferece para ser intermediário junto do prof. Marcello Caetano.

25 de Abril de 1974 – Major Otelo telefona ao Chefe do Estado-Maior da GNR, coronel Ângelo Ferrari, tentando a sua rendição, o qual tenta ganhar tempo, desmentindo a permanência do prof. Marcello Caetano naquela unidade.

25 de Abril de 1974 – Transmissão de novo comunicado do MFA, informando que estavam ocupados os principais objectivos, às 14h30, lido por Clarisse Guerra às 14h30, dando conta do ultimato para a rendição de Marcello Caetano.

25 de Abril de 1974 – o Major Vítor Alves e o tenente-coronel Manuel Franco Charais, vindos do Estado-Maior do Exército, chegam ao Posto de Comando.

25 de Abril de 1974 – O esquadrão do RC 3, comandado pelo capitão Ferreira, cerca as tropas do brigadeiro Junqueira dos Reis.

25 de Abril de 1974 – É transmitido novo comunicado do MFA, às 15h.

25 de Abril de 1974 – O brigadeiro Junqueira dos Reis abandona o local e cessa toda a actividade de resistência, às 15h, devido à inoperância das tropas governamentais.

25 de Abril de 1974 – Capitão Fernando Salgueiro Maia declara que «a GNR não tem qualquer hipótese de resistência».

25 de Abril de 1974 – Major Otelo Saraiva de Carvalho e capitão Rosado da Luz dão ordem ao capitão Salgueiro Maia para intimidar o Quartel do Carmo, às 15h, aconselhando primeiro a fazer um ultimado através dum megafone e depois a usar uma auto-metradalhora para rebentar as «fechaduras do portão para verem que é a sério».

25 de Abril de 1974 – Nuno Távora, chefe do gabinete do secretário de Estado, e o dr. Pedro Feytor Pinto, subdirector-geral dos Serviços de Informação da Secretaria de Estado, deslocam-se (15h) ao Grémio Literário para se reunirem com Pedro Pinto, Secretário de Estado da Informação e Turismo, a fim de o informar da disponibilidade do general António de Spínola de assumir o Poder.

25 de Abril de 1974 – Por ordem do Posto de Comando, às 15h10, Salgueiro Maia pega num megafone e faz um ultimato à GNR para que se renda, ameaçando rebentar com os portões do Quartel do Carmo, dizendo: «atenção Quartel do Carmo, atenção Quartel do Carmo. Damos dez minutos para se renderem. Todas as pessoas que ocupam o quartel devem sair desarmadas e com as mãos no ar. Se não saírem destruiremos o edifício».

25 de Abril de 1974 – Uma companhia de artilharia motorizada da EPA, chefiada pelo tenente Andrade e Silva, toma a Casa de Reclusão Militar de Lisboa, no Forte da Trafaria, às 15h15, para libertar os 11 militares presos na sequência do 16 de Março.

25 de Abril de 1974 – Disparos de uma torre de chaimite sobre a fachada do Quartel do Carmo, feitos pelo tenente Santos Silva por ordem de Salgueiro Maia, o que obriga ao reinício das conversações para a rendição de Marcello Caetano, às 15h25.

25 de Abril de 1974 – Um helicóptero transporta os Ministros da Defesa, prof. Silva Cunha, da Marinha, contra-almirante Pereira Crespo, e do Exército, general Andrade e Silva, de Lanceiros 2 para Monsanto, às 15h30.

25 de Abril de 1974 – Capitão Salgueiro Maia e o tenente Santos Silva conversam com o major Hugo Bélico Velasco, da GNR, acompanhados dos homens das transmissões, no Largo do Carmo, às 15h30.

25 de Abril de 1974 – Coronel Abrantes da Silva, mandatado pelo MFA, entra no Quartel do Carmo para negociar a rendição da GNR e do Governo, às 15h35.

25 de Abril de 1974 – Capitão Fernando Salgueiro Maia ordena o disparo de nova rajada sobre a fachada do Quartel do Carmo, às 15h45.

25 de Abril de 1974 – Uma força de artilharia da EPA recebe ordens para cercar e ocupar o Regimento de Lanceiros 2, às 16h, onde o coronel Manuel Pinto Bessa e o major Manuel Cruz Azevedo manifestaram-se contra o MFA, recusado aderir.

25 de Abril de 1974 – Forças do CIOE cercam os estúdios da RTP (Monte da Virgem) e do RCP (Tenente Valadim), no Porto, para proceder à sua ocupação, às 16h.

25 de Abril de 1975 – Conselheiro Mário Valente Leal, governador civil do Porto, António Alves de Faria, governador civil de Viana do Castelo, e Manuel de Ascensão Azevedo, governador civil de Braga, decidem partir para Lisboa.

25 de Abril de 1974 – Comunicado do Movimento da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) a saudar as Forças Armadas, redigido por Francisco Pereira de Moura, Luísa Amorim e Dulcínio Caiano Pereira, ás 16h.

25 de Abril de 1974 – Capitão-de-mar-e-guerra José Pinheiro de Azevedo, comandante da Força de Fuzileiros do Continente, e os capitães-tenentes Vítor Crespo e Carlos de Almada Contreiras, formam uma força constituída por um destacamento do Corpo de Fuzileiros Especiais (primeiro-tenente Fernando Vargas de Matos) e uma Companhia de Fuzileiros Navais (primeiro-tenente Varela), sob comando do capitão-tenente Luís Costa Correia, às 16h.

25 de Abril de 1974 – Em consequência da não evolução das negociações para a rendição de Marcello Caetano, Salgueiro Maia coloca um blindado frente ao Quartel e inicia a contagem para abrir fogo, quando é interrompido pelo tenente Alfredo Assunção que conduz Pedro Feytor Pinto e Nuno Távora, da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, portadores de uma mensagem do general Spínola para Caetano. Salgueiro Maia autoriza a entrada no Quartel desses dois mensageiros, às 16h00.

25 de Abril de 1974 – Dr. Nuno Távora e o dr. Pedro Feytor Pinto são recebidos pelo prof. Marcelo Caetano, às 16h05, a quem informam da disponibilidade do general António de Spínola para aceitar a sua rendição e assumir o poder. Comandante Coutinho Lanhoso escreve a seguinte mensagem para ser entregue ao general: «O Presidente do Conselho está pronto a entregar o Governo ao General António de Spínola, e espera-o, para tal fim, no Quartel do Carmo».

25 de Abril de 1974 – Pedro Feytor Pinto e o Nuno Távora saem do quartel e, acompanhados pelo tenente Assunção, vão informar o general António de Spínola e entregar a mensagem do Presidente do Concelho, às 16h15.

25 de Abril de 1974 – O capitão Fernando Salgueiro Maia dá ordens ao alferes miliciano Carlos Beato para instalar atiradores no cimo das varandas dum edifício, em posição de fazer fogo com armas automáticas sobre a frontaria do Carmo, às16h15.

25 de Abril de 1974 – Elementos da PIDE/DGS abrem fogo sobre a multidão que cerca a sua sede, na Rua de António Maria Cardoso, provocando um morto e vários feridos, às 16h15.

25 de Abril de 1974 – Forças da PSP, empunhando bastões, fazem uma carga sobre manifestantes que festejavam, davam vivas e lançavam panfletos do III Congresso da Oposição Democrática, às 16h30, em plena Praça da Liberdade, Porto.

25 de Abril de 1974 – Nuno Távora e o Pedro Feytor Pinto entregam (16h35) ao general António de Spínola o documento que traziam do Quartel do Carmo, o qual afirma não reconhecer a letra do Presidente do Conselho e, por isso, não aceitar tal incumbência.

25 de Abril de 1974 – Prof. Marcello Caetano telefona ao general António de Spínola, às 16h40, onde reconhece estar derrotado e cercado por blindados e por «uma multidão ululante», pedindo ao general para vir «assumir o Poder», pois não desejaria render-se a um capitão e queria fazê-lo perante alguém que «pudesse garantir a ordem pública». Spínola reafirma que nada tem a ver com o Movimento, mas disponibiliza-se para contactar o Posto de Comando do MFA.

25 de Abril de 1974 – General António de Spínola informa (16h45) o Posto de Comando do MFA de ter recebido um pedido de Marcello Caetano para ser ele a receber a rendição do chefe do Governo. Otelo informa-o que o Posto de Comando irá decidir a posição a tomar.

25 de Abril de 1974 – Salgueiro Maia entra no Quartel do Carmo, às 17h, onde fala com o comandante da GNR e exige a rendição a Marcello Caetano, que lhe responde que só se renderia a um Oficial-General para que o Poder não caísse na rua e não desejar render-se a um capitão.

25 de Abril de 1974 – Major Otelo Saraiva de Carvalho, do Posto de Comando do MFA, mandata o general António de Spínola para ir receber a rendição do prof. Marcello Caetano, às 17h.

25 de Abril de 1974 – A PSP entrincheirada no edifício da Câmara Municipal do Porto abre fogo sobre os milhares de manifestantes e populares, às 17h, por ordem do coronel Santos Júnior, comandante das forças policiais.

25 de Abril de 1974 – Salgueiro Maia pede (17h15) a Francisco Sousa Tavares e a Pedro Coelho, oposicionistas ligados à CEUD e ao PS, para ajudarem a afastar a população. Sousa Tavares, empoleirado numa guarita da GNR, apela à calma, através dum megafone. O apelo é ignorado.

25 de Abril de 1974 – Transmissão de novo comunicado do MFA, às 17h30.

25 de Abril de 1974 – General António de Spínola, tenente-coronel Dias de Lima, major Carlos Alexandre Morais, capitão António Ramos e dr. Carlos Vieira da Rocha, chegam ao Largo do Carmo, às 17h45h.

25 de Abril de 1974 – General António de Spínola e o capitão Salgueiro Maia entram no Quartel do Carmo para receber a rendição e informar Marcello Caetano dos procedimentos que serão adoptados para a sua retirada do local, às 18h.

25 de Abril de 1974 – Salgueiro Maia pede à população que abandone o Largo do Carmo, para proceder à retirada do Presidente do Conselho em segurança, às 18h15. O apelo é ignorado.

25 de Abril de 1974 – Transmissão de novo comunicado do MFA, às 18h20, informando a rendição do Governo em curso.

25 de Abril de 1974 – A chaimite Bula entra no Quartel do Carmo para transportar Marcello Caetano à Pontinha, às 18h30.

25 de Abril de 1974 – O Agrupamento Norte chega a Lisboa, às 18h30.

25 de Abril de 1974 – Declaração do MFA na RTP, às 18h40, lida por Fialho Gouveia. Fernando Balsinha anuncia uma edição especial do Telejornal.

25 de Abril de 1974 – Uma coluna da EPA, comandada pelo capitão Mira Monteiro, estaciona na Ajuda, junto dos aquartelamentos de Cavalaria 7 e Lanceiros 2, às 19h.

25 de Abril de 1974 – Prof. Marcello Caetano e os ex-ministros Rui Patrício e César Moreira Baptista entram na chaimite Bula, às 19h, para serem conduzidos em direcção ao quartel da Pontinha.

25 de Abril de 1974 – Capitão Fernando Salgueiro Maia levanta o cerco ao Largo do Carmo e conduz Marcello Caetano e os ministros ao Posto de Comando, no interior da chaimite Bula, literalmente envolvida por uma enorme multidão que grita “Vitória! Vitória! Vitória!”. A população manifesta-se nas ruas de Lisboa, durante o percurso até ao Posto de Comando, às 19h30.

25 de Abril de 1974 – Forças dos Regimentos de Infantaria 16 e de Artilharia Ligeira 3 cercam o Quartel-General da Região Militar de Évora, cujo comando se rende sem resistência, às 19h30.

25 de Abril de 1974 – Comunicado do Secretariado do Comité Central do PCP intitulado “Portugueses e Portuguesas: o Governo de Marcelo Caetano foi Derrubado!”, dizendo que a «queda do governo de Caetano é um extraordinário acontecimento que pode abrir um caminho novo na vida dos portugueses», e que «nesta hora histórica, o PCP saúda calorosamente a classe operária, as massas trabalhadoras e democráticas que lutam abnegadamente há longos anos pelo derrubamento do fascismo».

25 de Abril de 1974 – Comunicado da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP intitulado “Ao Povo da Região de Lisboa”, afirmando que «o triunfo do Movimento das Forças Armadas não pode ser dissociado da luta do Povo Português» e dos povos das colónias, e exigindo o «exercício efectivo das liberdades imediatas», amnistia geral, extinção da PIDE/DGS, fim da Guerra Colonial e «previdências imediatas que travem a subida dos preços e elevem os salários», apelando à classe operária e aos trabalhadores para «uma poderosa manifestação» no dia 1.º de Maio.

25 de Abril de 1974 – Comunicado da Direcção da Organização Regional do Norte do PCP, a saudar a classe operária, os trabalhadores e «os soldados e oficiais patriotas» e apelando para a libertação dos presos políticos, extinção da PIDE/DGS, liberdade de expressão de pensamento, destruição de «todo aparelho de Estado fascista», fim imediato das Guerras Coloniais e «urgente congelamento dos preços e pelo aumento geral dos salários», apontando para a «luta pela Revolução Democrática e Nacional», com vista à «vitória da revolução proletária e a construção do Socialismo e do Comunismo em Portugal».

25 de Abril de 1974 – Comunicado da Direcção da Organização Regional do Sul do PCP intitulado “Ao Povo do Sul do País!”, a saudar o Povo que «luta pelo Pão, a Liberdade, a Independência Nacional e a Paz dedicou, desde há tantos anos, os mais abnegados esforços», apelando à mobilização das massas para «conquistar a verdadeira democracia», «liquidar o colonialismo» e «libertar o País do poder dos monopólios», mas também «pela a construção de um Portugal Novo».

25 de Abril de 1974 – Comunicado de individualidades portuguesas residentes em França a saudar «a acção corajosa do MFA», afirmando que o derrubamento do Governo abre «o caminho à conquista da liberdade, da paz e do pão» e a exigir a «libertação imediata de todos os presos» políticos», a «abolição da censura», o fim dos «tribunais de excepção», a «dissolução da polícia política» e a abertura de «negociações imediatas com os movimentos de libertação» das colónias. Foi assinado por Joaquim Barradas de Carvalho, Vítor de Carvalho, Celestino de Castro, Silas Cerqueira, José Dias, Virgílio Fernandes, Vasco Magalhães Vilhena, António Marques dos Santos, Maria Helena Neves, Mário Pádua, Palma Féria, Tomás Rato e Carlos Plácido de Sousa.

25 de Abril de 1974 – Comunicado da Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN) difundido em Argel, afirmando que o levantamento das Forças Armadas vai abrir o «caminho à participação do povo na construção de uma sociedade democrática e socialmente justa» e a exigir a «libertação imediata dos presos políticos», o regresso dos exilados, o «fim de todas as formas de repressão», supressão «da censura e da polícia política», o «fim da guerra colonial» e o «reconhecimento do direito dos povos africanos à autodeterminação e à independência».

25 de Abril de 1974 – Coronel Manuel Passos de Esmeriz, do Regimento de Infantaria 6, assume interinamente o comando do Quartel-General da Região Militar do Norte, às 19h45, em nome do MFA.

25 de Abril de 1974 – Novo comunicado do MFA, às 19h50, anunciando formalmente a queda do Governo.

25 de Abril de 1974 – Transmissão da Proclamação do MFA através do RCP, às 20h.

25 de Abril de 1974 – Manifestação popular de jubilo junto do Quartel-General da Região Militar do Norte, às 20h, que se prolongou por toda a noite em diversas ruas do Porto.

25 de Abril de 1974 – A força da Armada comandada pelo capitão-tenente Luís da Costa Correia chega às instalações do Ministério da Marinha, Terreiro do Paço, às 20h, para receber a rendição ou adesão do Chefe do Estado-maior da Armada, almirante Eugénio Ferreira de Almeida, o qual informa já ter garantido oficialmente a adesão da Marinha ao MFA.

25 de Abril de 1974 – Elementos da PIDE/DGS disparam rajadas de metralhadora e lançam granadas de gases lacrimogéneas sobre a população que cerca a sua sede, na Rua de António Maria Cardoso, causando 4 mortos e 45 feridos, às 20h30.

25 de Abril de 1974 – A chaimite Bula e a coluna da EPC chegam ao Posto de Comando, às 21h, com Marcello Caetano e os dois ministros, que ali ficam detidos até ao dia seguinte. À chegada à Pontinha o general Spínola terá dito: «senhores oficiais, devo começar por informá-los que acabo de assumir o Poder no Quartel do Carmo».

25 de Abril de 1974 – Unidades de Infantaria 1 (Amadora) e Cavalaria 3 (Estremoz), equipados com dois carro de assalto e uma autometralhadora, criam um perímetro estratégico em volta do edifício da PIDE/DGS, nas ruas António Maria Cardoso e Paiva de Andrade, às 21h.

25 de Abril de 1974 – Comunicado do MFA, às 21h00.

25 de Abril de 1974 – Forças do RAP 3 e da EPI procedem à detenção dos ministros da Defesa, do Exército e da Marinha, e de outras altas patentes militares que estavam refugiados ao Comando da 1.ª Região Aérea, em Monsanto, às 21h15.

25 de Abril de 1974 – Capitão Rosado da Luz informa o Posto de Comando que a «guerra ainda não está ganha» e relata a situação explosiva na Rua de António Maria Cardoso.

25 de Abril de 1974 – António Lajes Pedras, agente da PIDE/DGS, que resistiu a um militar e tentou pôr-se em fuga, foi abatido com uma rajada de G-3, às 21h30.

25 de Abril de 1974 – Major Otelo pede (21h30) ao general António de Spínola para solicitar ao ex-ministro do Interior, César Moreira Baptista, que tente convencer o director da PIDE, major Fernando da Silva Pais, a render-se. Este mostra-se disposto à rendição, caso as Forças Armadas garantam protecção aos agentes.

25 de Abril de 1974 – Novo comunicado do MFA, às 22h00.

25 de Abril de 1974 – Capitão-tenente Carlos de Almada Contreiras ordena ao capitão-tenente Luís da Costa Correia para isolar o perímetro da PIDE/DGS e obter a sua rendição, às 22h.

25 de Abril de 1974 – Tropas pára-quedistas, comandadas por José Brás e Mário Pinto, cercam a prisão de Caxias, onde a PIDE/DGS continua a resistir, às 22h.

25 de Abril de 1974 – Major Manuel Monge e capitão Fernando Salgueiro Maia, comandando uma coluna blindada, seguem para Belém com vista à rendição dos RL 2 e RC 7, operação que decorreu das 22h30 à 1hora do dia 26 de Abril.

25 de Abril de 1974 – Decreto n.º 168/74, da Presidência do Conselho e do Ministério da Defesa Nacional, que sujeita a servidão militar as áreas confinantes com as instalações do Centro Receptor do COMIBERLANT e da Estação de Comunicações por Satélites Ibéria da OTAN, em Medos de Albufeira, concelho de Sesimbra.

25 de Abril de 1974 – Lei n.º 1, da Junta de Salvação Nacional, que destitui das suas funções o Presidente da República, o Presidente do Conselho e o Governo e dissolve a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado e determina que todos os poderes atribuídos aos referidos órgãos passem a ser exercidos pela Junta de Salvação Nacional.

25 de Abril de 1974 – Decreto-Lei n.º 170/74, da Junta de Salvação Nacional, que exonera os governadores civis do continente e ilhas adjacentes, bem como os seus substitutos e determina que as atribuições dos governadores civis passem a ser exercidas pelos secretários dos governos civis.

25 de Abril de 1974 – Decreto-Lei n.º 171/74, da Junta de Salvação Nacional, que extingue a PIDE/DGS (reestruturada a 24 de Novembro de 1969), a Legião Portuguesa (criada a 30 de Setembro de 1936), a Mocidade Portuguesa e a Mocidade Portuguesa Feminina (criadas a 11 de Abril de 1936) e o Secretariado para a Juventude (criado a 25 de Outubro de 1971) e insere novas disposições relativas às atribuições da Polícia Judiciária e da Guarda Fiscal. Foi promulgado às 23h30. A PIDE/DGS era somente extinta em Portugal Continental, sendo reorganizada em Polícia de Informação Militar «nas províncias».

25 de Abril de 1974 – Decreto-Lei n.º 172/74, da Junta de Salvação Nacional, que dissolve a Acção Nacional Popular.

11 comentários:

  1. Obrigado caro amigo.
    Isto é um bom alento.
    25 de Abril sempre !

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  2. Obrigado amigo pela sequência dos acontecimentos desse memorável dia.
    Só lanço uma simples pergunta:
    Como ponto altamente estratégico, no que diz respeito à transmissão dos sinais televisivos, porque é que os militares do MFA não ocuparam o Centro Emissor de Monsanto da RTP?
    Fausto Castelhano

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  3. Fiquei maravilhado ao ler toda sequencia dos acontcimentos,que vivi,que acompanhei e festejei.Obrigado por este trabalho, que reconheço que foi dificíl, mas está espectacular. Muito, muito Obrigado.

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  4. Com todo e devido respeito por todos os que se envolveram nessa revolução, acabei por concluir que foi uma luta em vão... grande problema que até hoje não se soube usar a liberdade tão suada...

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  5. Eu sou espanhol. 25 de Abril sempre!

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  6. E eu que estava na lista para incorporação ao serviço militar para lutar contra meus proprios compatriotas, ainda que hoje só olham para eles, foi uma boa acção libertadora em todo o então territorio português. Gostaria saber em que mares navega o celebre Salgueiro da Maia

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  7. E cá estamos, no Estado Exíguo. Quem nao soube usar a liberdade foram os dirigentes politicos e militares. O povo que e que fez de mal ?

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  8. Não se soube usar a liberdade porque a esquerda entrou em força e com ela passou-se a uma libertinagem, que é algo bem diferente de liberdade. Se o país mal estava, mal ficou e o exército agiu á imagem do exército do Egipto! Não foi lutar pelo povo ou liberdade do povo e sim pela sua própria liberdade (para escaparem á guerra em África) e pelas suas benesses! Basta olhar hoje para o relatório do Wikileaks que demonstra que somos um país dos generais sentados e almirantes sem barcos! A pirâmide do exército está invertida e quem hoje nas bases sai á rua a clamar por novos 25 de Abril anda enganado e mal informado tal como a geração dos enrascadinhos sem habilitações, pois devem virar-se é contra as suas chefias! Andam para aí muitos patetas a dizer que querem novos 25 de Abril mas é tudo gente mal informada porque não se fazem revoluções em democracia e para ficarem com dívidas na mão. Os modelos de sucesso são os dos países do norte da Europa que arrumaram a casa há uns 30 anos. Na Europa nenhum país quer comunismos ou socialismos. Andaram a vender ao povo português foi facilitismos, políticas de imigração sem critérios onde qualquer um entra para sugar subsídios de inserção que são a grande maioria da despesa do Estado e não grandes ordenados que são uns 900 e se fossem todos distribuidos pelo povo daria apenas 5 eur no bolso a cada papalvo. É só populismos e promessas e a esquerda não aprendeu nada com a crise. Aquele Parlamento na ala esquerda devia ser tudo corrido de lá! As pessoas andaram todas adormecidas a achar que na vida é tudo fácil e sem planeamento nenhum de filhos nem de poupanças e tudo a viver a crédito, casas, carros alemães em segunda mão para o país pagar coimas de poluição que são pagas por todos e vários cartões de crédito no bolso para o consumo. Foi esta a visão mentirosa que o PS e a esquerda venderam e continuam a insistir. Foi também a esquerda a culpada da não existência de uma lei das rendas e dos prédios estarem a cair nas cidades por agirem sempre como forças de bloqueio. Esta gentinha da vida gratuita e do tudo dado e baratinho só usam como modelos países como a Venezuela ou Coreia do Norte. Portugal precisa é fazer uma revolução das mentalidades! Um 25 de Abril das mentalidades porque o povo foi traído mas também está muito ignorante e inculto face aos outros países da Europa e por isso mesmo estamos onde estamos. Já repararam também que os países da crise são todos os países da cristandade? Não é por acaso! Só há duas hipóteses: Ou se segue o caminho de refundar o país, dar mais cultura ás pessoas e seguir o consenso europeu e o modelo de sucesso dos países do norte com o devido tempo ou então aqueles que querem a libertinagem, a esquerda no poder, tem de abrir os olhos para o que representaria a saída do Euro e as loucuras que andam a defender na praça pública como seja o caos nas ruas, anti-troika ou anti-Merkel por pura ignorância e nesse caso, terão vidas ainda mais miseráveis ou inflação galopante e pobreza. Até dá vontade de rir ver aquele idiota do Seguro e apoiar a entrada da Sérvia na Europa, quando o alargamento foi também outra das causas da crise europeia, já para não falar no erro que foi o espaço Schenguen mas para este génio da banalidade, lá venham mais Sérvios, mais tráfico de armas, mais turcos com tráfico de droga. Entrem todos e venham todos chupar os subsídios de inserção!

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    1. porra tu para escreveres é preciso ter cuidado
      por acaso não me queres ir fazer as minhas composições?

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  9. Há muita coisa que nao sabia por estar emigrado desde 1966.Mas é sempre bom reviver aquilo que por motivos da ditadura fomos milhoes de portugueses a abandonar o País.

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  10. Os meus parabéns. É a melhor listagem de acontecimentos daquele dia maravilhoso. Bem haja!

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